[Especial] Demolidor: Arte das Trevas!

[Especial] Demolidor: Arte das Trevas!

Arcos Principais: Arte das Trevas (Dark Art).
Publicação Original/ Brasil: Daredevil #10-14 (Marvel, 2016)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Charles Soule/ Ron Garney.

A atual série do Demolidor, ao contrário de algumas outras dessa fase Different da Marvel como a Poderosa Thor, não tem uma grande trama que vai se desdobrando aos poucos, até este terceiro encadernado ela vem mostrando histórias mais independentes, com o roteirista Charles Soule (Fabulosos Inumanos) preferindo trabalhar na relação entre o Demolidor e seu aprendiz, Ponto Cego, além de explorar as habilidades do Homem Sem Medo. Arte das Trevas é um desses arcos, apresentando um novo vilão, extremamente imprevisível e mudando, talvez para sempre, a dinâmica entre Demolidor e o Ponto Cego. Um arco muito interessante, levantando questões sobre o mundo das artes e vários momentos WOW! Review sem muitos spoilers!

ARTE DAS TREVAS

Tudo começa com Soule contextualizando o leitor: reforçando como o Demolidor é um herói das ruas, protegendo os bairros de sua cidade; relembrando como surgiu o Ponto Cego, usando seu uniforme de invisibilidade a base de bateria, tentando salvar sua mãe do vilão Dez Dedos; como ele virou o novo estagiário do escritório de Matt Murdock; entre outros pontos. O ponta pé inicial do arco é quando Ponto Cego recebe um convite para comparecer a um lugar misterioso e, ao chegar lá, se depara com um mural pintado a sangue. Quando Demolidor chega na cena do crime, percebe que é o sangue de mais de 100 pessoas diferentes. Toda a cidade fica alvoroçada com a descoberta, com o dono do armazém querendo expor o quadro como se fosse a nova Guernica, cobrando entrada dos curiosos. O artista secreto recebe o apelido de Vincent Van Gore (ironia ao Van Gogh) e a polícia fica na sua cola, enquanto uma vereadora quer fechar a exposição a todo custo, com Murdock entrando em cena como advogado.

É uma premissa muito interessante que lembra o primeiro arco de Ex Machina (Estado de Emergência), quando o prefeito Mitch precisa lidar com uma obra que gera uma grande polêmica na cidade. Claro que lá temos uma maior profundidade nisso, lidando com questões como o racismo. Já aqui, no Demolidor, é só um gatilho pra outras obras macabras surgirem na cidade, como uma instalação com inumanos mortos, levando Nova Attilan a enviar seu próprio advogado e o Demolidor tentar convencer a Rainha Medusa de que ela precisa cooperar com as autoridades humanas, recebendo um belo “não” na cara. A Medusa, inclusive, está bem bonita. Ron Garney (Wolverine: Procura-se Mística) volta aos desenhos da série, assim como Matt Milla (X-Factor) permanece nas cores, com suas paletas e texturas sensacionais. O Demolidor fica de cara a cara com o vilão ainda no começo do arco, uma figura perturbada que questiona a moralidade das coisas e preza por sua arte. Ele se chama Muse e sempre consegue ficar um passo à frente da polícia. Também chega a lembrar o filme Seven – Os 7 Crimes Capitais, pela organização dos crimes.

Como também estou envolvido nessa coisa toda de arte (aproveite pra dar uma olhada nas minhas últimas ilustrações), acabei me identificando com diversos diálogos. Nesse ponto, Soule fez um bom trabalho. Nada muito ácido, claro, mas ainda sim bacana. Frases como “arte nunca deveria ser óbvia” são ótimas. Muse acaba sendo o típico artista excêntrico e frustrado, que quer colocar sua obra pra todo mundo ver, além da última cartada, a obra final que vai mexer com todo mundo. Não é algo totalmente novo, como certamente você também lembrará de outras histórias semelhantes, mas dentro do contexto super-heroico, acaba sendo diferente. Muse intitula sua obra final de “Injustiça Moderna” e traz questões que vemos desde Watchmen, envolvendo o papel dos vigilantes mascarados, até onde eles podem ir?

A última edição, marcando o embate direto entre heróis e vilão, é muita boa. Primeiro porque Muse é totalmente imprevisível, rendendo um momento WOW sensacional. Quando pensamos que ele já fez de tudo, ele vai lá e PÁ! Por essa eu não esperava. Há uma outra cena muito legal onde o Demolidor faz um cosplay de Cavaleiro do Zodíaco, expandindo toda sua consciência/ sensibilidade num enorme radar, como se queimando seu 7º Sentido. Ótima sequência. Essa fase do Charles Soule vem recebendo algumas críticas, até com razão (aquele Dez Dedos foi bem tosco), mas agora vemos onde ele pode chegar, com Arte das Trevas sendo o melhor arco até então, deixando Ponto Cego mais carismático e próximo que nunca de seu mentor. Ainda tem suas falhas, como a inclusão da Medusa, que não precisava aparecer. Com toda a Guerra Civil II, parece que tudo tem que ter um toque de Inumano, quase sempre bem desnecessário.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br