[Especial] Demolidor: Suprema Corte!

[Especial] Demolidor: Suprema Corte!

Arcos Principais: Supremo (Supreme).
Publicação Original/ Brasil: Daredevil #21-25 (Marvel, 2017)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Charles Soule/ Goran Sudzuka.

Dá pra dizer que Supremo é um arco bastante divisor nessa fase escrita pelo Charles Soule (Fabulosos Inumanos). Depois de 20 edições, onde ele retomou a identidade secreta do herói, o colocou num novo uniforme preto e até incluiu um sidekick, o Ponto Cego, em Supremo (#21-25) temos uma história mais pé no chão, com Matt Murdock indo à justiça pra defender que os heróis, vigilantes e mascarados super-poderosos possam testemunhar anonimamente, sem revelar sua identidade, algo que não existe. É uma trama muito interessante, pois retoma pontos da Guerra Civil e toca em outros que raramente o leitor repara, em se tratando de histórias de heróis, como a questão “como prendem os ladrões deixados amarrados pelo Homem-Aranha? Com quais provas?“. Review especial com alguns spoilers!

SUPREMO

Matt Murdock inicia seu plano tentando encurralar uma gangue de criminosos, utilizando da ajuda do Demolidor, mas com uma condição: não tocar neles. Temos participação especial do Luke Cage e Echo, mas a gangue consegue escapar, com exceção de um membro: Slugansky, que é levado ao tribunal. Aqui que entra o plano principal, com Matt apresentando o Demolidor como testemunha, exigindo ao juiz que o encare como uma testemunha anônima, sem precisar tirar sua máscara. Caso o juiz aceite, abrirá precedentes para outras situações, com os heróis podendo usar seus superpoderes para auxiliar a sociedade dentro da Lei, servindo de testemunha para colocar os criminosos na cadeia.

E aqui entra alguns pontos interessantes, como o Matt comentando que chega de prenderem ladrões em postes, deixando-os pra polícia se virar em achar provas e tudo o mais pra poder prende-los. Sem contar que ver o Demolidor sentado no tribunal, jurando dizer apenas a verdade, é impagável. Todo o lance jurídico do arco é ótimo, mas o Soule ainda insiste em algumas coisas extremamente bregas, como a gangue do começo do arco, que parece ter saído dos anos 90. Um outro ponto legal é a reação do Rei do Crime: ele não gostou nada; se isso der certo, seus negócios estarão em risco, já que será difícil esconder as coisas de pessoas com super-sentidos, como o próprio Demolidor. Assim, o Fisk contrata o Sr. Legal, ex-advogado do Homem de Ferro, para defender Slugansky e detonar o Matt no tribunal. Esse seria o plano A, que se desse errado ele chamaria o plano B: o vilão Lápide.

Os desenhos continuam com Sudzuka (Ghosted) e as cores por conta de Matt Milla (X-Factor), porém estão bem diferentes dos arcos anteriores. Não tem aquele efeito reticulado, algo mais estético, nem nada. Tudo tá bem clean, com algumas cenas até simples demais. Parece que não dá pra ser 100% nessa fase, né? O nome do arco se deve ao Matt Murdock levar seu plano (e também sua ideologia) até às últimas consequências, nem que precise ir até a Suprema Corte pra isso. A Mulher-Hulk e o Foggy também fazem participações especiais, com destaque pro Foggy, que tem uma conversa bem franca com o amigo. O final é ótimo, com o desenrolar da trama afetando vários personagens, como o Demolidor, o Rei do Crime e até o Lápide. Um arco que foge da porradaria básica, que prepara terreno pra essa nova fase Legacy da Marvel, ainda sob o roteiro do Soule, retomando temas básicos do personagem. Me lembrou o clima da série Ex MachinaGostei bastante, apesar de alguns pontos baixos. E o mais legal dessa nova proposta, em relação aos mascarados darem testemunho sem revelar a identidade, é que tem uma relação com a saga Guerra Civil, onde o Homem de Ferro defendeu a ideia de Registro de Super-Heróis, para que não existisse mais identidade secreta, que os heróis não estavam “acima da Lei”. O Demolidor, na época, se uniu ao Capitão América e foi contra o registro. Agora, 10 anos depois, ele não só quer que os heróis estejam no mesmo nível da Lei como qualquer cidadão comum, como também elabora um plano que não precise frustrar as identidades.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br