[Especial] Demolidor: O Sétimo Dia e Púrpura!

[Especial] Demolidor: O Sétimo Dia e Púrpura!

Arcos Principais: O Sétimo Dia (The Seventh Day) e Púrpura (Purple).
Publicação Original/ Brasil: Daredevil #15-20 (Marvel, 2017)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Charles Soule/ Ron Garney e Goran Sudzuka.

Quando o Demolidor estreou nessa nova fase All New All Different da Marvel, um dos pontos que o roteirista Charles Soule mexeu foi trazer de volta a identidade secreta do herói, com ninguém mais lembrando que Matt Murdock é o Demolidor, inclusive outros super-heróis como o Capitão América e o Homem-Aranha, com exceção apenas de seu melhor amigo, Foggy Nelson. Um mistério que só começou a ser solucionado no arco em duas partes O Sétimo Dia (#15-16) e finalmente revelado em Púrpura (#17-20), fechando todas as pontas soltas. Uma parte importante na retomada do personagem, mas com alguns pontos que deixaram a desejar. Review sem muitos spoilers!

O SÉTIMO DIA

Esse pequeno arco em duas partes funciona pra introduzir um novo personagem na história, começando bem mas desandando totalmente. Murdock, disfarçado, espalha no mundo do crime que quer a cabeça do Demolidor, colocando um belo preço em cima dela, na tentativa de chamar a atenção de diversos vilões, em especial o Mercenário. Ele acredita que, assim, conseguirá ter acesso ao soro que o assassino tem, que duplica suas habilidades. Talvez uma perspectiva de melhora pro Ponto Cego? Em paralelo, Murdock se vê sem saída, desanimado de tudo, e entra numa Igreja pra se confessar. Até aí tudo bem, se não fosse o fato do Padre Jordan fazer parte de uma organização secreta (no estilo do Azrael da DC, mas mais discreto) se revelando um lutador num momento que você fica pensando “WTF acabou de acontecer?”. Trash. Ainda mais depois de ter surgido um vilão e uma história tão interessante no arco anterior, Arte das Trevas. Murdock resolve confessar como que conseguiu sua identidade secreta de volta, dando o gancho pro arco seguinte.

PÚRPURA

Só pelo título já dá pra ter uma noção que há dedo do Homem-Púrpura aí no meio, mas não necessariamente. Murdock começa a se confessar, colocando o leitor a par de tudo que aconteceu na vida dele nos últimos anos, dando uma boa contextualizada. Nos flashbacks vemos como ele assumiu sua identidade de Demolidor ao mundo, acabou se afastando de sua profissão, virando um famoso e até planejando uma biografia, além do romance com Kirsten McDuffie, que era o amor de sua vida. Todo o dinheiro e fama o estavam deixando depressivo, percebendo que não tinha mais um conceito a levar, como antes (defendendo as pessoas no tribunal), se comparando a outros heróis, como o Homem de Ferro (que tem sua empresa) e até o Hulk (com suas pesquisas). O fazendo ir atrás de vários amigos (e inimigos) pra tentar recuperar sua identidade secreta, como o Doutor Estranho, tudo em vão.

É aí que entra duas Crianças Púrpuras, filhas do Homem-Púrpura, batendo na porta do Demolidor, pedindo ajuda, sendo perseguidas por civis insanos a comando do próprio pai. As histórias que envolvem o Púrpura geralmente são interessantes, ele possui o poder de incentivar as pessoas a fazer tudo o que ele quiser. Nesse caso, esses civis vão fazer de tudo pra capturar as crianças, nem que isso signifique quebrar o pulso tentando arrombar a porta ou até se matarem no processo. O que leva o Demolidor a utilizar um plano mais criativo, já que não vai machucá-las, por serem inocentes. As duas crianças estão fugindo do pai, que capturou seus outros três irmãos (são cinco no total). Ele quer todas pra poder elevar seu poder às últimas consequências. Há um conflito entre o Demolidor e Killgrave bastante interessante, com seu inconsciente brigando (suas “personas”) num bar pra decidir qual seria a pior coisa que o Demolidor seria capaz de fazer, rendendo boas sacadas.

O legal é que ficamos na expectativa de saber como isso vai levar ao esquecimento da população quanto à sua identidade secreta. Vamos pensando num caminho e aos poucos vai se revelando um outro. Entretanto, Soule traz uns conceitos bem batidos de super-heróis. Não bastou a cena mega bizarra do Padre, temos a típica máquina que usa pessoas com poderes pra calibrar o vilão, como engrenagens. Lembrando que tudo isso é narrado em flashback, com um desdobrar (pós o esquecimento) que faz a gente ter raiva do herói. Afinal de contas, seu melhor amigo continuou sabendo de sua identidade, mas o amor da sua vida, Kirsten, não? A revelação do mistério, como ele recuperou sua identidade secreta, fica em cima do muro. Ao mesmo tempo em que é interessante, também parece um remendo, abrindo (mais do que já é aberto) precedentes pra outras tentativas de recuperar o status quo dos grandes heróis, algo que, aliás, a Marvel já vem preparando pra esse período Legacy (como trazer o Peter Parker ferrado que conhecemos, em vez do milionário).

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br