[Especial] Demolidor: Dez-Dedos em Chinatown!

[Especial] Demolidor: Dez-Dedos em Chinatown!

Demolidor - Dez Dedos em Chinatown Destaque 1

Arcos Principais: Chinatown.
Publicação Original/ Brasil: Daredevil #1-5 (Marvel, 2015)/ Demolidor Vol. 12 (Panini, 2017).
Roteiro/ Arte: Charles Soule / Ron Garney.

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Após os eventos de Guerras Secretas, a Marvel relançou todas as suas revistas como parte da fase All New All Different em 2015. Cancelaram algumas séries, criaram outras e muitas tiveram sua equipe criativa modificada, no intuito de “arrumar a casa” e atrair novos leitores. É o caso do Demolidor, personagem que corre meio por fora dos grandes eventos da editora e que estava numa elogiada fase escrita pelo Mark Waid durante 4 anos. Com as mudanças, Mark Waid e o desenhista Chris Samneee migraram para a série da Viúva Negra e passou pra frente a difícil tarefa de continuarem seu trabalho. E quem pegou essa responsabilidade foi Charles Soule, que também escreve outras séries dessa nova fase (principalmente as relacionadas aos Inumanos). Esse review comenta, sem spoilers, o primeiro arco desse novo Demolidor.Demolidor - Dez Dedos em Chinatown 2

Sempre temos dois sentimentos quando trocam autores durante uma fase elogiada: o medo por estragarem tudo e a expectativa que continue no mesmo nível. Esse primeiro arco (que não tem título) tenta estabelecer o novo status quo do Demolidor, reapresentando um pouco de sua origem, dos seus poderes, como funciona sua patrulha na Cozinha do Inferno e seu trabalho como advogado para os novos leitores. Dentre essas mudanças estão: um novo uniforme preto; sua mudança para Nova York atuando como promotor público (e não mais de defesa); e o fato de que ninguém mais sabe que ele é o Demolidor. O motivo de como todo mundo esqueceu ainda não ficou claro, mas agora o Homem Sem Medo volta a ter uma identidade secreta. Uma outra mudança na estrutura do personagem é que ele ganha um “parceiro mirim“: Samuel Chung, um imigrante ilegal que combate o crime em Chinatown, cuja habilidade especial é ficar invisível. Ou seja, vários detalhes… interessantes.

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Na história, um novo figurão surge em Chinatown: Tenfingers (“Dez Dedos), um cara que literalmente possui 10 dedos em cada mão, criando uma igreja clandestina e reunindo diversos fiéis (quase todos imigrantes ilegais) sobre a falsa profecia de que ele é o salvador. Chung pede ajuda do Demolidor para acabar com a seita e mandar Dez Dedos de volta pra Ásia, salvando seus vizinhos. Soule utiliza dessa premissa pra tratar temas como imigração e xenofobia, porém o arco não dá um passo à frente: tudo é meio morno e o vilão é tão genérico que não cria tensão. No decorrer da história, Matt tenta utilizar de sua posição para incriminar Dez Dedos, mas é surpreendido ao descobrir que o vilão possui poderes derivados do Tentáculo e não será assim tão fácil. Nesse ínterim ainda temos a participação especial do Capitão América (Steve Rogers), que também não conhece mais a identidade do Demolidor ou que ele seja cego.

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Apesar de não trazer uma super história, o desenvolvimento é bom e cheio de ação. O Demolidor é um dos heróis mais estilosos da Marvel, com a parte artística sempre em destaque, com lutas ótimas de se ver. E aqui não é diferente: os desenhos de Ron Garney (Wolverine: Procura-se Mística) mantém a tradição e traz um Matt lindo e com um novo uniforme preto cheio de charme, todos os saltos e batalhas “lotadas” (já que falar de Tentáculo é falar de milhares de ninjas atacando ao mesmo tempo) estão boas. As cores são de Matt Milla (X-Factor) que também mantém a tradição de ambientes escuros que contrastam com o vermelho do Demolidor (nesse caso, com os detalhes em vermelho), recheado de cores vibrantes.

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Artisticamente, este primeiro arco do Demolidor segue com a mesma qualidade que Chris Samnee tinha. As cenas são ágeis e super dinâmicas, você consegue ler numa tacada só. Algo bem interessante é como retrataram o “ponto cego” do herói (e que, coincidentemente, é o codinome de Chung – Blindspot), além de toda a textura de Milla, em especial as reticuladas. Entretanto, Soule descartou várias das ideias que Mark Waid tinha desenvolvido e acrescentou tantas outras que são, no mínimo, questionáveis. Colocar um sidekick (apesar dele se considerar um “aprendiz”) pro herói está entre uma das coisas mais esquisitas, por mais que seja um personagem interessante. Dez Dedos é um vilão caricato (e não o estilo caricato bom que temos na galeria do Batman, por exemplo), mas sim um caricato tosco. Um primeiro arco que tem força pela ação e pelo ótimo trabalho de arte, mas que traz uma história meio qualquer coisa, apesar de bem desenvolvida.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br