[Especial] Viúva Negra: A Mais Procurada Pela SHIELD!

[Especial] Viúva Negra: A Mais Procurada Pela SHIELD!

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Arcos Principais: Mais Procurada Pela SHIELD (S.H.I.E.L.D.’s Most Wanted).
Publicação Original/ Brasil: Black Widow #1-6 (Marvel, 2016)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Mark Waid e Chris Samnee/ Chris Samnee.

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Diferente da DC, que já “reiniciou” seu Universo duas vezes nos últimos 5 anos (com os Novos 52 em 2011 e agora em 2016 com Rebirth ou Renascimento), a Marvel costuma zerar suas séries através de grandes eventos, mas sem abdicar de sua cronologia. Em 2015, a editora terminou o mega evento Guerras Secretas, que culminou no relançamento de todas as suas séries, dando inicio a fase All New, All Different Marvel. O que importa destacar é que, ao contrário da DC que tenta manter toda sua mitologia de maneira mais conservadora (e isso não significa que vá ser ruim), a Marvel apostou numa nova perspectiva de seus personagens e na diversidade (e isso também não significa que vá ser bom). A Panini traduziu esta nova fase de Totalmente Diferente Nova Marvel e começará a publicar por aqui provavelmente no início de 2017.

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Dentre as novas revistas está a 6ª série da Viúva Negra, a ex-espiã russa e cheia de segredos Natasha Romanova. Vale comentar que a personagem nunca teve um grande destaque na Marvel, sendo que suas três primeiras séries foram de especiais. Somente em 2010, junto com sua versão cinematográfica interpretada pela Scarlett  Johansson em Homem de Ferro 2, que ganhou maior popularidade e uma mensal propriamente dita. O primeiro arco desse novo volume, S.H.I.E.L.D.’s Most Wanted (A Mais Procurada Pela SHIED, em tradução livre), chegou ao fim recentemente no EUA e traz uma aventura frenética, da qual comento nesse review (sem spoilers).

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Escrita pelo Mark Waid (O Reino do Amanhã), o arco tem uma primeira edição quase muda: Natasha rouba um documento do Aeroporta Aviões da SHIELD e passa a ser perseguida pelos demais agentes. A própria Diretora Maria Hill anuncia que todos precisam detê-la a qualquer custo. Uma fuga alucinante que desemboca em combates sangrentos. Um ótimo início. Waid foi aclamado por sua fase com o Demolidor (2011-2015), assim como o volume anterior da série foi elogiado pelos fãs, então as apostas estão altas com sua chegada à série.

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A partir de então, o arco se desenrola de maneira linear. Natasha é chantageada por Weeping Lion (Leão Chorão), um novo vilão que possui um segredo dela. Para não soltar na mídia e acabar com a sua carreira de pseudo-Vingadora, já que nem sempre a Viúva Negra está no lado que pensamos estar, ela precisa trazer alguns documentos confidenciais da SHIELD e do seu antigo lar: a Sala Vermelha na Rússia, o local que fazia lavagem cerebral e psicológica em meninas, transformando-as em assassinas e espiãs. Todo o arco mostra Natasha Romanova encontrando um jeito de conseguir o que o Leão deseja ao mesmo tempo em que não quer se ferrar (muito) com a SHIELD, já que tem vários agentes na sua cola. Um ponto legal é que Mark Waid amplia os conceitos da Sala Vermelha, que era tida como desligada. Ele também traz a figura da Diretora, a mulher que comandava o lugar na época da protagonista. Alguns momentos desses flashbacks lembram o treinamento da Elektra no clássico Elektra: Assassina.

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Um outro ponto interessante é que, apesar da popularidade da personagem graças aos filmes, a Viúva Negra continua uma espiã silenciosa e mortífera: não há piadas e muitos momentos de descontração. Ela, na verdade, praticamente não fala em quase toda a história, com algumas exceções para o leitor entender todo o contexto do arco. Isso é muito bom, principalmente pro novo leitor, que já desassocia as duas versões (filme e quadrinho), entendendo que ela é realmente barra pesada. Além dos vários truques de seu uniforme e das pulseiras, do ferrão da aranha, ela é perita em artes marciais e pula de prédios ao estilo As Panteras. Num determinado momento temos a participação especial do Homem de Ferro e, quando pensamos que vai começar algo mais açucarado, ela não dá o braço a torcer. O final fica em aberto e dá a entender que o próximo arco será uma espécie de “Parte 2″, outro ponto positivo de Mark Waid: quando pensamos que o vilão vai ficar no blá, blá, blá e monólogos clichês, a Viúva Negra dá uma reviravolta boa.

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A arte é de Chris Samnee (O Sombra), que também é o co-autor da série e já havia trabalhado com Waid no Demolidor. Toda a ação é frenética e seu estilo é muito bom, misturando um traço mais pop (que ganha vida com as cores vibrantes de Matthew Wilson, o mesmo da Mulher-Maravilha dos Novos 52) e uma diagramação mais alternativa, fugindo do padrão super-herói. Toda a arte é bonita e se sobressai, inclusive essa é uma das questões que surge nos reviews desse primeiro arco: muita arte, pouco roteiro. Todas as explosões, lutas, sangue escorrendo, briga na lama (sim!) e saltos por aí são de encher os olhos, mas o tal do segredo que move toda história não é lá essas coisas. Não chega a convencer que ela faria tudo isso para escondê-lo, sendo que todo mundo sabe das várias coisas que fez no passado e que já se redimiu. Fica aquele clima de história genérica da personagem (movendo mundos e fundos pra proteger um segredo/ roubando uma grande corporação), mas ainda é uma boa história. Vale a leitura e empolga para continuar acompanhando.

nota 8,0 ;

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br