[Especial] Trindade Rebirth: Melhor Juntos!

[Especial] Trindade Rebirth: Melhor Juntos!

Trindade Rebirth - Melhor Juntos Destaque 1

Arcos Principais: Melhor Juntos (Better Together).
Publicação Original/ Brasil: Trinity #1-6 (DC, 2016)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Francis Manapul/ Francis Manapul, Clay Mann, Emanuela Lupacchino.

Trindade Rebirth - Melhor Juntos 1

Como parte do evento Rebirth (ou Renascimento), a DC relançou e zerou todas as suas séries, mantendo algumas coisas dos Novos 52 e reaproveitando outras pré-Novos 52. Uma das novas revistas é a série Trindade, focada em Batman, Superman e Mulher-Maravilha. É a terceira vez que temos algo assim, já que em 2003 houve uma mini com os três, em 2008 tivemos uma série semanal de mesmo nome e agora, em 2016, uma mensal. Escrita e também desenhada pelo Francis Manapul, o primeiro arco apresenta os personagens ao novo público, contextualizando-os na nova realidade Rebirth, ao mesmo tempo em que traz referências interessantes aos fãs mais antigos. Um exemplo de como deveria ser nas demais séries, tendo em vista que um dos propósitos do Rebirth é angariar novos leitores e algumas revistas mais confundiram do que facilitaram a vida desses leitores. Review especial desse primeiro arco, Better Together, dividido em duas partes: a primeira sem spoilers e a segunda com spoilers.

Trindade Rebirth - Melhor Juntos 2

MELHOR JUNTOS

A história começa com Mulher-Maravilha e Batman indo visitar o Superman em sua fazendo, a convite de Louis Lane, “se enturmarem”. Clark não sabia do convite, mas tenta fazer sala pros convidados. Cronologicamente, ela se passa após alguns eventos iniciais do Rebirth, sendo interessante ler o título solo de cada um deles antes, pra pegar melhor as referências. Mas os próprios diálogos e flashbacks tentam contextualizar o leitor: Diana não consegue encontrar o caminho para Themiscyra (como mostrado em As Mentiras), Batman está lidando com a aparente morte do Robin Vermelho (em Ascensão dos Homens-Morcego) e Superman tentando se adaptar à esta realidade (em Filho do Superman), já que ele é de “outra realidade”. Parece um pouco confuso de início, mas tudo vai se encaixando. O grande destaque do arco é lidar com esses novos status quo, ao mesmo tempo que relembra o passado das personagens e os insere nessa nova realidade Rebirth. Como uma homenagem.

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Quando os três chegam perto do celeiro da fazenda, são misteriosamente jogados para o mundo dos sonhos e passam a viver e reviver traumas e desejos do inconsciente. É a brecha que Francis Manapul (Flash, Ponto de Ignição) cria pra falar sobre o que fazem cada um deles, o herói que admiramos. Assim vemos Superman encontrando a si mesmo, no passado, num dia que perderia seu pai adotivo, o Sr. Kent. Batman revivendo a noite em que seus pais foram assassinados, sem poder fazer nada para mudar. E Mulher-Maravilha encontrando Themiscyra, mas tendo que escolher entre família ou amigos. Num determinado momento eles percebem que não estão na realidade e sim em algum estado alterado de consciência, passando a tentar desvendar o mistério.

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O desenrolar da trama acrescenta outra personagem (que falarei na parte dos spoilers) que possui um papel essencial tanto pra história quanto pra sua própria cronologia. A arte do arco é feita quase toda pelo próprio Manapul, com uma primeira e segunda edição feitas por ele, super bonitas e elegantes, com diversos detalhes, mas sem ser “demais” ou exagerado. Ele abusa das páginas duplas com grandes diagramações, como a apresentação de cada um dos três protagonistas, com cada página dupla montando o logo de cada um. Também é possível perceber que Manapul, mesmo quando passou a arte para outro desenhista, ainda assim manteve controle do design. Provavelmente fez os layouts e os outros desenhistas criaram a partir deles, pois o estilo é semelhante em quase todas as edições. Clay Mann (Hera Venenosa: Ciclo de Vida e Morte) é o desenhista da terceira, com uma sequência de ilusão muito boa. E Emanuela Lupacchino (Lanternas Verdes Rebirth, X-Facotr) é a da quarta, ficando mais claro o estilo emulado (e a que menos gostei). Apesar de manter uma consistência estética, Manapul se destaca e mesmo nas cenas “idênticas” (como mostrando os três no celeiro), a versão dele é a mais bonita. A edição #5, por exemplo, é lindíssima. Um arco muito legal e até didático para os novos leitores, que foca na construção da “Trindade”, mas sem deixar os antigos na mão, com várias referências (inclusive à histórias super antigas, como uma missão do Batman), valendo a leitura!

nota 8,0 u

Trindade Rebirth - Melhor Juntos 5

SPOILERS

Difícil falar muito sobre este arco sem soltar spoilers. O grande vilão por detrás da “viagem” da Trindade é a Hera Venenosa, que está em alta ultimamente. Ao se conectar com o Verde, ela encontrou uma criatura bonitinha, a Clemência Branca, uma versão inconsciente da Clemência Negra, uma planta simbiótica que estava aprisionando Mongul em seus próprios sonhos. Por ser vegetal, Hera de alguma maneira conseguiu encontrá-la por acaso, mas entrando em contato com uma outra versão sua (a Branca), que vem manipulando todos. Ela apareceu na fazenda do Superman por perceber que lá há uma grande fonte de energia solar, acabando por prender os três (sem saber da identidade de cada um) à própria realidade da Clemência. Ou algo assim! Confesso que não conheço muito sobre ela, mas gostei muito de como conseguiram relacioná-la aos poderes da Hera. Na mini Ciclo de Vida e Morte, a vilã criou três híbridos humano/ vegetal que chamou de filhas. Há uma pequena citação à elas no arco, assim como a própria Hera querer adotar a Clemência Branca e, ao final, uma criança vegetal surge às escondidas, dando a entender que ainda não acabou. Veremos.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br