[Especial] Um Conto de Batman: Estufa!

[Especial] Um Conto de Batman: Estufa!

Arcos Principais: Estufa (Hothouse).
Publicação Original/ Brasil: Batman: Legends of the Dark Knight #42-43 (DC, 1993)/ Um Conto de Batman: Estufa #1-2 (Abril, 1994).
Roteiro/ Arte: John Francis Moore/ P. Craig Russell.

Em 1989 a DC lançava uma nova revista do Batman intitulada Legends of The Dark Knight, pegando carona na popularidade do personagem, que só vinha crescendo com a aclamada Batman: Ano Um do Frank Miller e com a estréia do filme Batman dirigido pelo Tim Burton. A ideia era trabalhar pequenos arcos que funcionassem de maneira mais distante e independente da cronologia da época, trazendo equipes criativas diferentes em cada um. A série durou até 2007, rendendo mais de 200 edições e boas histórias, como a conhecida Xamã (republicada em encadernado pela Panini). A editora Abril lançou a série com o título Um Conto de Batman em 1991, que depois passou pela Opera Graphica, Mythos, Panini e agora a Salvat, as vezes com o título Lendas do Cavaleiro das Trevas. Apesar das múltiplas editoras, ainda há edições inéditas por aqui. Estufa é um arco curtinho em duas partes (#42-43), escrita pelo John Francis Moore (X-Force) e desenhos de P. Craig Russel (Coraline – Graphic Novel), mostrando pela primeira vez a Hera Venenosa “curada”, numa trama boa e simples. Review especial sem spoilers!

ESTUFA

Hera Venenosa saiu do Asilo, após seu primeiro encontro com o Batman, e decide levar uma vida normal, ganhando uma bolsa na Universidade de Gotham e trabalhando com o que gosta: suas plantas. Pelo menos aparentemente! Bruce Wayne está numa festa beneficente quando o reitor da Universidade decide se suicidar e, mesmo virando o Batman, não consegue salvá-lo. Esse começo é bem interessante porque, além de vermos o Morcego agindo de dia, ele falha em sua missão. Não há grandes questões morais depois, sobre esse momento, mas é legal ver que ele também falha. As coisas mudam de rumo quando ele percebe que a Hera está no meio da festa, como Pamela Isley, e ao descobrir que o homem morreria de qualquer jeito, já que estava extremamente contaminado por fungos. Ao mesmo tempo, uma nova droga surge na cidade e a Pamela diz estar sendo forçada a produzi-la pra dois criminosos. É uma trama que envolve assassinato, tráfico e pontos que viriam a ser bem característicos na mitologia da Hera Venenosa. Nisso, John Francis Moore merece destaque: essa foi a primeira vez que vimos a Pamela “curada”, dizendo não ser mais a Hera, que está bem consigo mesma e só quer trabalhar em suas plantas, além de lembrar sua paixão não correspondida pelo Batman. Temas que viriam a ser trabalhados por outros autores, mesmo recentemente com a mini Ciclo de Vida e Morte, com ela tentando seguir uma vida comum. Estufa ainda serviu de base para um episódio de Batman: A Série Animada.

O clima do arco é bastante retrô, em parte graças aos desenhos de P. Craig Russell: todo mundo possui um rosto super carismático, além do visual da Hera ser o antigo, de cabelo curtinho. Fora que Russell constrói todo um padrão de diagramação, com o arco dividido em pequenos capítulos com cenas de “zoom in” e “zoom out” muito boas. A Hera Venenosa é uma das minhas personagens preferidas e é interessante vê-la mais “humana” e ainda no começo da carreira, com seus poderes ainda bastante “realistas”, ou seja, não vá esperar a presença de monstros vegetais, plantas dominando e quebrando edifícios, nem a transformação dela. É um roteiro bem pé no chão, por assim dizer. Como bônus pros fãs, Moore e Russell deixam um fanservice especial: uma pequena alucinação do Batman, enxergando a Hera em sua totalidade. Uma sequência muito boa! E como muitas histórias da personagem, seus fãs que acabarão curtindo mais, por conta das referências. É aqui que surge a “pomada” que o Batman de vez em quando usa na pele, para sobreviver ao toque dela, por exemplo. Sem contar que o próprio Francis Moore trabalharia em outra história com a personagem, na especial Batman: Hera Venenosa de 1997, pegando carona no filme Batman & Robin.

E revendo esse arco hoje, percebo e reforço o quanto ele pode ter servido de influência pra muitas outras histórias da Hera. Claro que aqui temos uma Hera mais louca e apaixonada, quase que ingênua, diferente da versão atual, mais séria e contida. Mas apesar dessas diferenças, no geral ela é muito semelhante à graphic novel Nas Sombras, que é inédita no Brasil. Nas duas temos uma Pamela Isley arrependida e tentando se recuperar, mas escondendo algumas coisas, ao mesmo tempo que flerta com o Batman. Inclusive Nas Sombras tem o Batman alucinando e um final bem parecido com o que acontece em Estufa. Há uns pontos no roteiro que ficam artificiais ou muito simplórios, principalmente por acontecer em duas edições, além de alguns aspectos próprios da época, como um maior número de balões de pensamento e falas sinalizando as ações, coisas que não vemos mais hoje. Mas o resultado final é um arco bem enxuto e fluido, não sendo antiquado, em parte graças aos layouts super arrojados do Russell, que sempre manda bem. Uma leitura muito indicada aos fãs da Hera Venenosa e pra quem deseja ler algo menos megalomaníaco do Batman. A editora Abril publicou o arco em Um Conto de Batman: Estufa #1-2 em 1994.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br