[Especial] Sereias de Gotham Vol. 4: Divididas!

[Especial] Sereias de Gotham Vol. 4: Divididas!

Arcos Principais: Friends (Amigas).
Publicação Original/ Brasil: Gotham City Sirens #20-26 (DC, 2011)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Peter Calloway / Andres Guinaldo.

O último volume das Sereias de Gotham, publicado um pouco antes dos Novos 52. Intitulado Divididas, traz o arco (Ex)Amigas, que compreende as edições #20-26 (com exceção da #22, que faz parte do Julgamento em Gotham). É um arco que não saiu no Brasil, mas que possui tradução feita por fãs na internet. Temos a Arlequina voltando ao Arkham a fim de matar o Coringa, colocando em cheque seu relacionamento com a Hera Venenosa, além de impactar a Mulher-Gato. Review especial com alguns spoilers.

(EX)AMIGAS

No review dos volumes anteriores eu já comentei o quanto gosto da Hera Venenosa, que é uma das minhas personagens preferidas, e o quão interessante foi vê-la interagindo com a Arlequina e a Mulher-Gato, funcionando como uma equipe. É claro que Sereias de Gotham teve seus momentos ruins, principalmente lá pelo meio, mas também teve seus momentos bons, principalmente em se tratando de expandir os poderes da Hera e a personalidade da Arlequina. O ponto negativo, talvez de cunho editorial, é que os autores (Paul Dini e Tony Bedard na primeira metade, e Peter Calloway nessa segunda) não puderam ir além da página dois. O que fica bem evidente neste final. A Hera Venenosa e como funciona o seu corpo foi bem explorado no início; assim como a relação da Mulher-Gato com o Batman e sua irmã; no final do volume anterior, a Arlequina tem um estalo e resolve ir ao Arkham a fim de matar o Coringa, acabar com todo o histórico de humilhação que ela possui com ele. Seria o seu momento. Uma reviravolta e tanto, não? Fiquei até ansioso. Porém…. não é bem isso o que ocorre.

Realmente, a Harley vai até o Arkham e dá início o seu plano de chegar ao Coringa. O interessante é em como ela suborna e afeta psicologicamente diversos funcionários do lugar, pra deixarem ela passar. As vezes esquecemos, mas ela era uma excelente psiquiatra (que acabou sendo seduzida pelo Sr. C, enlouquecendo no processo). Então sempre é bom ver os autores lembrando dessa questão, de que ela não é só uma palhaça. Numa dessas cenas, por exemplo, ela utiliza de um prego pra lembrar um guarda sobre como ele perdeu seu neném e o quanto o Coringa esteve envolvido nisso. Quando ela finalmente encontra o vilão, que ocorre logo na segunda edição, ela contraria o leitor e acaba voltando aos braços dele! Além de perder a trama de superação, ajuda a manter o status quo da personagem (de apaixonada e submissa). Os dois se unem, como nos velhos tempos, e instauram o maior caos no Arkham. Presos são soltos, guardas são mortos, sangue e chacina pra tudo quanto é lado.

A Mulher-Gato dá um chega pra lá na Hera Venenosa, se juntando ao Batman e invadindo o Arkham a fim de impedir o casal recém reunido. Já a Hera, que é a melhor amiga da Harley, surge na prisão e imobiliza o Coringa, exigindo que a Arlequina escolha entra ela, que sempre esteve ao seu lado, ajudando no que era preciso; ou do lado dele, que a humilha e maltrata. Essa cena é muito importante para a história dessas personagens, além de ser muito bem feita. A Arlequina utiliza de seus jogos mentais para manipular a Hera. O clímax vem quando ela diz que a Hera, na verdade, a ama. Sim, não só de amizade, mas um outro tipo de amor. Esse é um ponto bastante importante porque reafirma a ideia de que as duas eram mais que amigas, algo que mais tarde foi oficializado e se transformou num tumultuado relacionamento amoroso.

Mas voltando à história, a paixão cega da Arlequina a impede de ser razoável. Numa reviravolta, o Batman saindo por cima de todos e a Mulher-Gato imobiliza a Hera, deixando-a a mercê dos guardas, dando início à divisão das três. Enquanto a Arlequina só pensa no Coringa, a Hera Venenosa passa a alimentar uma vingança pela Gata e pela Harley. Um arco onde eu esperava certas coisas (como a separação do Coringa), mas tomou outros rumos que, vendo agora, foram bem interessantes. Apesar das três terem evoluído muito no processo, elas terminam quase que com o mesmo status quo. Principalmente a Selina, ainda parceira do Batman; e a Arlequina, ainda apaixonada pelo Coringa. O relacionamento da Hera com a Arlequina tomam novos rumos e cores, agora ficando mais evidente e sendo o grande destaque do volume. Perto do final há uma metáfora linda, utilizando da figueira vermelha, que cresce sobre outras árvores, as “estrangulando“, como uma metáfora do relacionando entre as duas. Apesar de gostarmos de uma pancadaria, de ver a Hera destruindo toda uma rua, são esses pontos, essas delicadezas no roteiro e na relação entre os personagens, que mais valorizam a história.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br