[Especial] Arquivo X - Temporada 11: De Volta ao Lar!

[Especial] Arquivo X – Temporada 11: De Volta ao Lar!

Arcos Principais: De Volta ao Lar (Home Again).
Publicação Original/ Brasil: X-Files – Season 11 #1-5 (IDW, 2015)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Joe Harris e Chris Carter/ Matthew Dow Smith.

Antes de Arquivo X retornar à TV em 2016, a editora IDW havia lançado em 2013 a revista Arquivo X – Temporada 10, que era continuação direta das 9 temporadas originais mais o último filme de 2008. A série durou 25 edições (que comentei aqui no site em três especiais: De Volta ao Bureau, Peregrinos e Imaculada e O Retorno do Sindicato). A série foi mediana, com bons momentos e outros nem tanto, retomando diversas tramas antigas (como o Flukeman) e ressuscitando vários personagens que haviam morrido na série, como o Canceroso e os Pistoleiros Solitários. A IDW lançou em 2015 a continuação “Temporada 11” com apenas oito edições, sendo cancelada pra dar lugar a um terceiro volume (que seria a “Temporada 12”), mas sem nenhum subtítulo, só Arquivo X, e que vem sendo publicada atualmente. Parece que a editora realmente está apostando na franquia, já que tem vários especiais e spin-offs surgindo. Review especial do primeiro arco da Temporada 11, sem spoilers, que retoma um dos episódios mais apavorantes da série: Home!

DE VOLTA AO LAR

Interessante comentar, primeiro, que os quadrinhos de Arquivo X vem formando sua própria mitologia, evoluindo e transformando vários pontos clássicos e que, por conta disso, há várias diferenças em relação à nova Temporada 10 “real”. O leitor de primeira viagem pode estranhar, se não leu a Temporada 10 em quadrinhos. No último arco, vimos que Gibson Praise se tornou um adulto manipulador, construindo toda uma trama de conspiração e chantageando Mulder e Scully. Já nesse arco, temos um pouco do desenrolar disso. Mulder continua foragido, investigando por conta própria os eventos que Gibson manda ele fazer, enquanto Scully tenta segurar as pontas no Bureau e é pressionada pela sua chefe a dizer o paradeiro do parceiro, mas ela não sabe. Situação clássica. Uma coisa que me incomodou um pouco é o fato do Gibson se comunicar através das pessoas, controlando suas ações e também demonstrar que possui outros poderes, como telecinese. Além de ser uma mudança radical no personagem, que era uma criança e amiga do Mulder na série, ele faz isso deliberadamente e, numa cena em específico, ele levita uma arma na frente da Scully. Isso perde um pouco do charme dela em duvidar das coisas, que é a base da personagem, sempre buscando uma explicação científica. Com tudo explícito, não tem nem como duvidar.

O roteirista Joe Harris (A Busca por Ciclope) tenta nos apresentar alguma conspiração, mas os eventos ficam confusos. Há um satélite que caiu do céu e que, por algum motivo, Gibson possui um interesse especial nele. Ao mesmo tempo em que os Arquivos X estão sendo fechados e substituídos por uma empresa terceirizada, a misteriosa Cantus. A nova Diretora Assistente Morales tenta convencer Scully que é o jeito certo de lidarem com as situações. No meio de tudo isso, a investigação do Mulder acaba o levando pra uma cidadezinha, onde todos os terrenos estão sendo comprados por uma petrolífera. Mas uma casa, no meio do nada, se recusa a vender. A família que mora nessa casa é ninguém menos que a Peacock.

Home” (S0402) é, de longe, um dos melhores episódios de Arquivo X. Nele, Mulder e Scully investigam uma família, os Peacock, e descobrem várias barbaridades. A matriarca, que não possui as pernas e nem as mãos, mora com seus três filhos deformados. Há uma relação de incesto entre eles, com os filhos engravidando a mãe pra manter a família “pura”. O episódio foi tão perturbador na época que recebeu um aviso de conteúdo antes de começar, além de não ter sido reprisado. Nesse arco, descobrimos o que aconteceu com a família. A matriarca continua na ativa, com seu único filho sobrevivente (dos três originais) servindo de pai. Ela mesmo admite já ter dado a luz cem crianças, quase todas mortas, claro. Mas as sobreviventes andam pela casa, todas deformadas, com exceção de uma, que cresceu “normal”. Mais uma vez, uma mudança radical na mitologia. O resultado não chega a ser tão perturbador quanto o episódio foi, ficando num clima meio trash, principalmente por conta do desenhista, Matthew Dow Smith (Doctor Who), que não tem um estilo obscuro e pesado que a história pede. No episódio original, por exemplo, quase não víamos o rosto dos três irmãos, era um clima de terror ao estilo Massacre da Serra Elétrica. Já no quadrinho é tudo muito explicito e mais “bonitinho”.

Joe Harris ainda narra um flashback, mostrando a origem da família, como que a mãe perdeu os membros e deram início ao incesto. O problema é que o leitor já se perdeu depois de tudo isso, sem nem saber porque diabos o Gibson mandou o Mulder pra lá. Era só pra retomar um arquivo que ficou aberto? Falando nele, a edição 5 também traz um flashback e sua origem, em como “sabia” das coisas quando criança e já era perseguido por agentes. Mais uma vez, como comentei num review anterior, temos o clássico sangue verde alienígena, mas ele não parece ser mais tóxico como na série. Não explicaram o motivo ou o autor esqueceu desse detalhe. É um primeiro arco razoável, que se destaca por trabalhar em cima de temas consagrados, enquanto vai costurando uma trama maior. Mas que fica meio perdido, um tanto caricato de mais. Também não sou muito fã dos desenhos do Dow Smith, pena que ele se mantém na equipe até hoje.

Review do segundo e último arco: Fim de Jogo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comments

comments

Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br