[Especial] Cavaleiro da Lua: Bem-Vindo ao Novo Egito!

[Especial] Cavaleiro da Lua: Bem-Vindo ao Novo Egito!

Arcos Principais: Bem-Vindo ao Novo Egito (Welcome to New Egypt).
Publicação Original/ Brasil: Moon Knight #1-5 (Marvel, 2016)/ Cavaleiro da Lua Vol. 4 (Panini, 2017).
Roteiro/ Arte: Jeff Lemire/ Greg Smallwood.

O Cavaleiro da Lua foi outra série, assim como o Demolidor, que estava numa ótima fase antes da Marvel relançar suas revistas com o evento All New All Different, trocando as equipes criativas. O leitor, claro, fica com receio dos novos autores não manterem a qualidade. Felizmente, não é o caso dessa série. Jeff Lemire (Sweet Tooth) manteve a ideia que Warren Ellis (Azul Profundo) deu início no volume anterior, trabalhando melhor a origem e o inconsciente de Marc Spector, com suas diferentes personalidades. E nessa nova série tudo é levado a outro patamar. O primeiro arco, Bem-Vindo ao Novo Egito, não só coloca Spector num Manicômio, como coloca em dúvida sua própria sanidade e a existência do Cavaleiro da Lua. Review sem muitos spoilers!

BEM-VINDO AO NOVO EGITO

Pra quem assistiu a série do Legião que estreou este ano, vai perceber algumas semelhanças com este primeiro arco de Cavaleiro da Lua. Assim como na série do filho do Professor Xavier, aqui temos um Marc Spector acordando num hospício, onde alguns antigos colegas também estão, mas todos com uma personalidade e uma função diferente: alguns como pacientes, outros como funcionários. Ele não tem muitas recordações do passado, assim não lembra como foi parar ali. A Dra. Emmet, diretora do lugar, afirma que ele está no hospital há anos, sempre tendo delírios de um tal Cavaleiro da Lua. O clima que Jeff Lemire cria é muito bom, acompanhado pelos desenhos de Greg Smallwood (Dream Thief), tudo muito estilizado, com diagramações diferentes e uma estética clean, destacando a cor branca dos quartos e dos uniformes, trabalho da colorista Jordie Bellaire (O Visão). Aliás, todas as 5 capas desse arco também destacam o branco, ao contrário das 4 capas seguintes, do segundo arco, onde temos o preto em destaque.

Como ocorre em histórias com esta temática, temos Spector com surtos de “realismo”, se podemos chamar assim, passando por terapia de choque e outros abusos, improvisando uma máscara de Cavaleiro da Lua e observando a verdadeira face dos funcionários do lugar, todos feras da mitologia egípcia, assim como a cidade de NY, tomada por areia e ostentando uma pirâmide gigante. O Cavaleiro da Lua nunca foi um herói do primeiro escalão, se bobear nem do segundo, mas nos últimos anos tem recebido ótimas histórias. Ele é considerado como o Batman da Marvel, sendo um milionário e detetive que combate o crime à noite, recebendo os poderes do deus da lua Khonshu, mas tendo como grande diferencial a loucura e suas personalidades, que vem sendo melhor trabalhadas ultimamente.

Em paralelo, Khonshu fica entrando em contato com Spector, dizendo o que ele precisa fazer, que precisa acordar e seguir seu rumo. Ele passa diversas explicações de como funciona esse “contrato” dos deuses com os mortais. Spector possui os poderes de Khonshu, por exemplo, porque tem a mente fraca, sendo mais propício de ser dominada. Assim como seus outros amigos no hospital estão dominados por outros deuses, como Emmet controlada pela entidade crocodilo Ammut. Gena, Crawley, Frenchie e Marlene completam o hall dos pacientes. Há dois enfermeiros que roubam as cenas, sendo responsáveis por controlar e medicar Spector. Lemire criou um ambiente muito interessante e até cinematográfico, por lembrar algumas produções como Um Estranho no Ninho ou até American Horro Story: Asylum. E, claro, a série do Legião que, na verdade, surgiu depois.

Bem-Vindo ao Novo Egito foca na tentativa de fuga de Spector desse manicômio, encontrando figuras conhecidas da mitologia egípcia, com ótimos diálogos e sequências. Numa delas, eles encontram o deus Anubis, que vai ajudar numa travessia. Porém só Spector e Crawley “enxergam” esse mundo, com a Gena vendo apenas um metrô parado no lugar. Muito bom! Sem contar que esses deuses estão mais carismáticos que aqueles que surgiram em Poderosa Thor, que achei bem chatos. Aqui, mesmo com a arrogância e a típica intenção de brincar com os mortais, as situações se encaixam melhor. Perto do final, temos algumas sequências ao estilo Resident Evil, aquela sensação de sair na rua e perceber que a Umbrella arrasou com tudo. O próprio Khonshu faz participações especiais bastante interessantes, reforçando a pegada nonsense da história. Inclusive a última edição tem a participação especial de diversos artistas, cada um representando um “lugar” diferente da vida/ inconsciente do Marc Spector. Trata-se de mais uma série em que a Marvel apostou no lado alternativo, como em Visão, fugindo dos clichês super-heroicos e, pelo menos até então, longe dos eventos da editora. E pegando o Lemire, que já tem experiência no campo das HQs alternativas como Essex County Trilogy. Como ponto negativo, talvez esteja algumas repetições e a corrida final, onde percebemos a estrategia do Lemire em ir descartando um a um dos coadjuvantes, pra chegar num final único. O arco foi publicado aqui pela Panini no encadernado Cavaleiro da Lua Vol. 4.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br