[Especial] Cavaleiro da Lua: Morte e Nascimento!

[Especial] Cavaleiro da Lua: Morte e Nascimento!

Arcos Principais: Morte e Nascimento (Death and Birth).
Publicação Original/ Brasil: Moon Knight #10-14 (Marvel, 2017)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Jeff Lemire/ Greg Smallwood.

O Cavaleiro da Lua ganhou uma ótima fase durante o All New All Different Marvel, escrita pelo Jeff Lemire (Sweet Tooth). O primeiro arco, Bem-Vindo ao Novo Egito, nos mostrou Marc Spector preso em seu próprio inconsciente, em suas memórias, com a realidade e seus amigos sendo afetados e alterados por isso. Uma viagem super psicodélica, em parte graças aos desenhos sensacionais de Greg Smallwood (Dream Thief). Já no segundo arco, Encarnações, vimos que Spector possui uma nova personalidade (como se as outras já não bastassem!). Agora nesse terceiro e último arco, Morte e Nascimento, temos o confronto final de Spector contra Khonshu, a entidade da Lua! Review especial sem muitos spoilers!

MORTE E NASCIMENTO

O Cavaleiro da Lua nunca foi um herói do primeiro escalão. Sempre pertenceu aos coadjuvantes, mas seu contexto de múltiplas personalidades e um visual que permite experimentações (como fazem com o Demolidor e que poderiam fazer, também, com Manto e Adaga) fizeram com que, nos últimos anos, ele protagonizasse volumes mais alternativos. E o Jeff Lemire conseguiu manter muito bem esse ritmo. A edição #10, que inicia o arco, é uma das mais bonitas visualmente. Spector faz um mergulho no vazio, a fim de barganhar com Anúbis pela alma de Crawley, acabando por lembrar de sua infância, de quando as personalidades começaram a lhe visitar pela primeira vez. Daí em diante, a história segue por dois caminhos: um no presente, com ele procurando por Khonshu, o deus que o transformou em Cavaleiro da Lua; e um no passado, mostrando desde sua infância até o incidente no deserto.

Um ponto muito bom é que, depois de acompanhar os dois arcos, Lemire vai nos mostrando coisas que estavam escondidas e que só agora fazem sentido, como a passagem de Spector pelo hospital psiquiátrico, sua carreira como fuzileiro, lutador clandestino e mercenário. No submundo, ele encontra a deusa Anput, esposa de Anúbis, presa. Um trecho que me lembrou Sandman, de quando ele vai ao Inferno resgatar a Nada em Estação das Brumas. Um outro ponto que fez a diferença nessa fase são as cores de Jordie Bellaire (O Visão), que dão um tom mais psicodélico. Muitas vezes não sabemos se estamos diante de traços de giz ou preenchimento digital, um trunfo da arte, que também arrasa dos fundos que lembram uma galáxia.

O clímax do arco é quando Spector finalmente fica de cara a cara com Khonshu, percebendo que foi manipulado toda a sua vida, ao mesmo tempo em que, no passado, vemos como ele se envolveu com o mercenário Bushman e acabou diante da tumba de Khonshu. As cenas vão ocorrendo em paralelo, muito boas! Uma série que teve seus pontos baixos (não gostei tanto do segundo arco), mas que se redimiu ao final, com sequências sensacionais como Spector entrando no próprio cérebro, aumentando o clima surreal, mas sem ser extremamente confuso, mas ainda brincando com a nossa percepção do que é ou não real. Jeff Lemire finaliza seu run após virar e revirar o personagem, mas ainda o entregando inteiro ao próximo autor. Uma fase que conversa de maneira excelente com o inconsciente quebrado do herói, de como ele lida com essa confusão em sua mente. Com esse fim, a Marvel deu início ao “Legacy“, com a série nas mãos de Max Bemis. Espero que a qualidade tenha se mantido!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comments

comments

Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br