[Especial] Cavaleiro da Lua: Encarnações!

[Especial] Cavaleiro da Lua: Encarnações!

Arcos Principais: Encarnações (Incarnations).
Publicação Original/ Brasil: Moon Knight #6-9 (Marvel, 2017)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Jeff Lemire/ Vários.

A série do Cavaleiro da Lua começou muito bem nessa fase All New All Different da Marvel, colocando Marc Spector num manicômio, recebendo tratamento de choque e sendo desacreditado por todos do lugar, o fazendo crer que o Cavaleiro da Lua não passou de uma ilusão da cabeça dele. Foi um primeiro arco bastante emblemático e interessante, ponto para o roteirista Jeff Lemire (Sweet Tooth). Agora nesse segundo, chamado Encarnações, a narrativa se torna ainda mais confusa complexa, com Marc Spector e seus alter-egos em tramas paralelas, se encontrando e desencontrando a cada página, desenhada cada qual por um artista diferente. Review sem muitos spoilers!

ENCARNAÇÔES

No final do arco anterior, Marc Spector acordou em sua casa, como se nada tivesse acontecido. Só que aconteceu! E muita coisa. Suas personalidades estão agindo de maneira independente, com Spector atuando num filme com o Cavaleiro da Lua dirigido pelo Steven Grant, enquanto Jack Lockley está resolvendo uma situação com Crawley, que avisa que tudo isso é uma ilusão. E ainda temos a inclusão de uma nova personalidade! Um homem que vive na Lua, um dos soldados das naves Cavaleiro da Lua, que protegem seu lar, o último refúgio humano, contra lobisomens assassinos. E essas personalidades trocam de papeis constantemente, com um entrando na história do outro, tudo num clima bastante confuso de sonhos. E quando você pensa que não pode piorar, no bom sentido, Steve Grant participa de uma festa no próprio manicômio, onde dizem que ele ficou por um tempo e temos os dois enfermeiros engraçados do primeiro arco.

A primeira metade do arco é esse caos todo, você lê e pensa que não vai dar em nada. Até porque o Cavaleiro da Lua é um personagem bem louco e esse tipo de história não chega a ser novidade pra ele. Mas da metade pra frente as coisas começam a se encaixar melhor. Há uma cena muito boa, por exemplo, onde o taxista Jack Lockley está sendo interrogado pela Dra. Emmet e suas falas se confundem com a narrativa do cinema. Um outro ponto positivo é que a troca de desenhistas acaba reforçando essa diferença entre as personalidades, pra não ficar uma coisa só. Além do Greg Smallwood (Dream Thief), que foi o desenhista principal do primeiro arco e que retorna aqui pra criar as cenas do “Novo Egito“, temos: Francesco Francavilla (capista de Arquivo X – Temporada 10) e seu estilo super colorido e saturado desenhando as cenas de Jack Lockley; Wilfredo Torres (O Sombra: Ano Um) num traço mais delineado e simples nas cenas de Steven Grant; e James Stokoe (Orc Stain) numa pegada mais detalhista, a lá Moebius, desenhando as cenas no espaço. Todos fazem um bom trabalho, com destaque pra Stokoe, que deixa tudo num clima Sci-Fi e cria cenários amplos e incríveis.

Isso torna o arco bem interessante, afinal temos um roteirista trabalhando com quatro artistas e em quatro narrativas distintas que se conectam, sobre um personagem que é insano. Mas, em comparação com o anterior, onde Smallwood dá um toque bastante elegante à história, aqui alguma coisa parece destoar. Algo não funciona, passando a sensação de ser só mais uma confusão da mente de Spector. Felizmente, o final consegue fechar essas pontas e trazer o leitor novamente para os trilhos, para a história maior envolvendo Spector e Khonshu, na tentativa de dar um jeito nessa mente retalhada de uma vez por todas, valendo a leitura. O arco seguinte fecha essa fase com o Lemire, pelo menos por enquanto, com a série sendo cancelada e retornando apenas em novembro, para nova fase Legacy da Marvel.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br