[Especial] Novos Mutantes: O Retorno de Legião e Necrosha!

[Especial] Novos Mutantes: O Retorno de Legião e Necrosha!

Novos Mutantes - Retorno de Legião e Necrosha Destaque 1

Arcos Principais: Retorno de Legião (Return of Legion) e Necrosha.
Publicação Original/ Brasil: New Mutants #1-11 (Marvel, 2009)/ X-Men Extra #101-105, #108-110 e #111-113 (Panini, 2010).
Roteiro/ Arte: Zeb Wells/ Diogenes Neves, Zachary Baldus.

Novos Mutantes - Retorno de Legião e Necrosha 1

Os Novos Mutantes foi uma série que surgiu originalmente no começo dos anos 1980, um dos primeiros spin-off dos X-Men. Era composto por um time de jovens mutantes em treinamento, assim como os X-Men originais nos anos 1960. Faziam parte da equipe o Míssil, Mancha Solar, Karma, Miragem e Lupina, ganhando outros quatro membros logo depois: Cifra, Warlock, Magma e Magia. Durante um bom tempo esse foi o “time jovem” principal das revistas X, ganhando e perdendo membros com o passar dos anos até ser cancelada em 1991 em sua 100ª edição. Um segundo volume foi criado em 2003, mostrando Miragem reunindo uma nova equipe, que mais tarde passou a se chamar Novos Mutantes: Academia X. Somente em 2009 que a Marvel inicia um terceiro volume dos Novos Mutantes, agora reunindo quase todos os membros originais em histórias que lembram suas origens. Esse review especial comenta os primeiros arcos desse volume (#1-11) que antecedem o Segundo Advento. Com spoilers!

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O RETORNO DE LEGIÃO

Logo de início fica evidente que o roteirista Zeb Wells (Doutor Octopus: Origem) quer reunir a equipe original, trabalhando em cima de várias referências. No primeiro arco, Ciclope envia Miragem e Karma para uma missão “fraudada”: um chamado avisando de uma nova mutante. Como a Cérebra não detectou nada, ele pensa ser mentira. Nesse momento surge Magia, toda acabada, dizendo ter vindo do futuro e que as duas colegas estão em perigo. Assim, Ciclope coloca Míssil como líder de uma subequipe e o envia com Magia, Magma e Mancha Solar, para encontrá-las. Toda uma tramoia pra colocarem os antigos amigos juntos, né? Na cidadezinha eles descobrem que, na verdade, a “nova mutante” é Legião, o filho do Professor Xavier que sofre de múltiplas personalidades. Karma está em sua consciência, lutando contra as outras personalidades para salvar uma menininha. A primeira aparição de Legião também foi no primeiro volume de Novos Mutantes, em 1985.

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Esse começo é meio estranho: expressões exageradas, Míssil chamando Ciclope de “senhor”, pessoal tomando decisões bizarras de última hora (como a Magia jogando a missão pro bueiro pra salvar uma garotinha – okay que faz parte da história principal, mas né…). Os desenhos do brasileiro Diogenes Neves (DC Terror: Cavaleiros do Demônio), por outro lado, são bem legais e todos os personagens ficaram bonitões. Com destaque pro Mancha Solar, com direito a camisa babylook mostrando a barriguinha. Depois de um tempo a história engata e fica mais interessante e com ação.

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Dentro da mente do Legião, suas personalidades lutam para decidirem quem vai controlá-lo. Seu inconsciente usa uma boneca como símbolo desse “poder” sobre David: a personalidade que segurar a boneca consegue dominar seu corpo. Apesar de Diogenes se sair bem com as cenas de ação, toda essa pegada “Inception” poderia sair bem melhor nas mãos de algum desenhista mais psicodélico. Esse primeiro arco foca em como os Novos Mutantes, voltando a trabalhar em equipe e com várias ressalvas (como Miragem sem poderes e a ausência de Lupina) podem lutar contra um mutante nível Ômega e praticamente onipotente. Cada personalidade de Legião possui um poder e perfil diferente, podendo ser do “bem” ou do “mal”. O que garante várias coisas interessantes! Também descobrimos que sua mudança não afeta apenas sua psique, mas agora também é capaz de modificar o próprio corpo. Além de demonstrar que existem milhares de personalidades ali dentro.

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A edição #5 fecha o arco e é desenhada por Zachary Baldus, um cara que não fez muitas revistas, mas possui um estilo pintado bem bacana. É uma diferença e tanto que dá aquele gostinho “mais alternativo” que seria interessante de vermos em todas as histórias. Cronologicamente, ela ocorre pós Vingadores Sombrios e tenta resolver algumas pontas soltas. Miragem briga com Sam para provar seu lugar na equipe, mesmo sem poderes. Karma passa numa psicóloga e descobrimos que ela “matou” uma das personalidades de Legião. E enquanto isso, o próprio Legião começa a ser tratado pelo Clube X, num programa de ponta que “reorganiza” todas as suas personalidades, colocando em “celas”. Mas o principal acontecimento é o retorno do Cifra e do Warlock, dando início ao próximo grande arco…

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NECROSHA

Na super saga Necrosha, Selene consegue trazer à vida os mortos de Genosha através de uma modificação num vírus tecnorgânico. Ela aproveita para ressuscitar outros mutantes-chave, como o ex-Novo Mutante Cifra, que estava morto desde 1984! Ele tem a habilidade de decifrar qualquer tipo de linguagem (inclusive de computador/ alienígena) e ganhou a missão de matar a neta de Selene: Magma. Só que, coincidentemente, Warlock (o ser tecnorgânico e melhor amigo de Doug) está na Terra e encontra seu túmulo aberto no terreno destruído da Mansão X. Chega a ser engraçado que depois de enfrentarem o LEGIÃO, acabam perdendo feio pra um Cifra Morto-Vivo: logo que ele entra em Utopia, pega Magma de surpresa e lhe dá uma cacetada na cabeça. Ele não veio sozinho, trazendo a versão walking dead dos Satânicos, também. O legal desse começo é a maneira como Cifra se comunica, através de “zeros” e “uns” (codificação binária) e em como Warlock, inocente do jeito que é, tenta trazer o amigo “de volta”, mas acaba com a cabeça arrancada por ele e jogada ao mar.

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A luta contra os Satânicos, antigos rivais dos Novos Mutantes (mais referências) não chega a ser surpreendente. Possui um ou outro destaque, como um membro deles tendo o corpo cortado ao meio por uma porta automática. Warlock consegue “renascer” através da casca de um siri e joga, literalmente, uma bomba na equipe inimiga! Diogenes retoma a arte das edições #6-8, com boas sequências de ação, mas outras bem toscas. Numa dessas cenas, Mancha Solar arranca um braço da Feral como se fosse uma boneca. Miragem pega o braço e o joga pela janela… Feral (como se fosse um cachorro atrás de uma bolinha) pula junto e se lasca no chão. Quer dizer… Felizmente, o relacionamento entre Cifra e Warlock é bem bonito e salva a história. Amara, que foi nocauteada por um bastão, também se recupera ao manter seu corpo em forma de lava. Outro ponto interessante é sabermos que a Magia não é a verdadeira Magia, pelo menos não a que conhecíamos. Como Warlock a chama, ela é uma Magia 2.0. Emma, numa conversa com ela, tenta entender o que aconteceu entre a sua morte e o seu retorno. Acho que nem a Rainha Branca compreendeu bem a confusão, então imagina eu…

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Esse início dos Novos Mutantes tem várias coisas interessantes, mas algumas bem toscas também. Todo o arco do Legião é legal por mostrar as suas personalidades e como funciona seu inconsciente. Mas poderia ser melhor num traço mais ousado e com um roteiro menos “programado”. Tudo funciona para trazer de volta Míssil, Karma, Miragem, Magma, Mancha Solar, Magia, Warlock e Cifra mais uma vez, faltando apenas a Lupina (que estava enfrentando outros problemas com a X-Force). As edições #10-11 são apenas fillers, também conhecidos como tapa-buracos, que dão uma enrolada até a edição #12 que faz parte do ótimo Segundo Advento. Na #10 Ciclope confessa à Emma que está procurando pelo próximo líder dos X-Men (e talvez esteja nos Novos Mutantes) numa briga chocha contra Sauron, Verme e outros do escalão C. Já na #11 temos Miragem se transformando em Valquíria da Morte, pagando parte de seu acordo com Hela: uma história que acrescenta mais à cronologia do Thor que à dos mutantes. Essa fase saiu em dois encadernados nos EUA e em X-Men Extra por aqui, uma leitura divertida e rápida, com bons momentos (com destaque para o relacionamento meigo entre Cifra e Warlock) e ótimas sacadas (como a linguagem do Cifra, a organização da mente do Legião) mas que faltou aquele TCHAN pra dar uma passo à frente e não ficar muito no “heróis VS vilões”.

nota 7,0 d

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br