[Review] O Universo de Sandman!

[Review] O Universo de Sandman!

Arcos Principais: O Universo de Sandman (The Sandman Universe).
Publicação Original: The Sandman Universe #1 (Vertigo, 2018).
Roteiro/ Arte: Nalo Hopkinson, Kat Howard, Si Spurrier e Dan Watters/ Bilquis Evely.

Sandman foi um dos grandes títulos do selo Vertigo da DC durante os anos 1990, considerado um dos maiores clássicos dos quadrinhos recentes. Na época, o autor Neil Gaiman (Orquídea Negra) resgatou um personagem abandonado da DC, no caso o próprio Sandman, e reestruturou toda a sua história, rendendo um universo onírico extremamente rico e cheio de personagens cativantes. A série original rendeu 75 edições (1989-1996), inclusive já comentei um pouco sobre isso no review do volume 1 da Edição Definitiva. Apesar de ter ganho diversos spin-offs desde sua estréia, além de especiais como Noites Sem Fim, Contos Fabulosos e Os Pequenos Perpétuos, o universo de Sandman estava um pouco abandonado. Em 2013 saiu Sandman: Prelúdio (Overture), que foi o último grande lançamento do personagem. Mas em 2018, com argumento do próprio Gaiman e roteiro dos autores Nalo Hopkinson, Kat Howard, Si Spurrier e Dan Watters, além dos desenhos de Bilquis Evely, a DC publicou o especial O Universo de Sandman (The Sandman Universe), com uma história nova e que abre inúmeros caminhos, resgatando personagens como Lucien, Lúcifer e Timothy Hunter. Um especial que serve de introdução para as novas séries Casa dos Sussurros, Lúcifer, Livros da Magia e O Sonhar. Review especial com alguns spoilers!

O UNIVERSO DE SANDMAN

Uma misteriosa fenda se abre no Sonhar, perto da Biblioteca dos livros imaginados e jamais publicados protegida por Lucien, Criando uma confusão no lugar. Abel, Caim, Mervyn Cabeça-de-Abóbora e outros sonhos formam uma pequena reunião, convidando Lucien, para tentarem descobrir o que está ocorrendo. Todos exigem a presença do Perpétuo regente dos Sonhos para acalmar os ânimos. Mas Morfeus não está no Sonhar, Lucien pede a ajuda do corvo Matthew para procurá-lo, que passa a mergulhar em alguns sonhos e pesadelos para invadir o Mundo Desperto. Esse é o ponto principal que liga diversas histórias, já que Mattew entra em contato com outras personagens que ganharam suas novas revistas.

Um desses encontros é com Tim Hunter, o protagonista da série Livros da Magia, que também foi um sucesso da Vertigo nos anos 1990. Nesse trecho, Tim está na escola e percebe que seus segredos e envolvimento com a magia não são mais tão secretos assim, com uma professora da escola escondendo algum mistério envolvendo violência e sangue. É o pontapé para a nova série dos Livros da Magia, que estreou logo em seguida. Num outro momento, agora em Nova Orleans, conhecemos Erzulie Freda e o plot inicial para a revista da Casa dos Sussurros. Freda é uma lóa da mitologia Vodu, algo bem característico de Nova Orleas, deusa da beleza, amor e fortuna. Sua história se cruza com um casal de mulheres e com a também entidade Uncle Monday, cuja história originou-se de um homem africano escravizado nos EUA. E é em meio à essa cultura de vodu, misticismo e bruxaria que vemos os principais personagens da nova Casa dos Sussurros, que também ganhou uma série solo. Importante comentar que no passado tivemos a Casa dos Mistérios e a Casa dos Segredos, que também tiveram suas séries solos, e que agora aparentemente foram fundidas num novo local.

Um outro encontro, talvez o mais interessante, é de Matthew com um outro corvo, dessa vez uma espécie de zumbi ou espírito abandonado no antigo quarto de Lúcifer. Os dois conversam a respeito do sumiço do próprio Lúcifer, recontando sua história (e até resgatando algumas das capas mais icônicas de suas séries) e questionando a situação do Estrela da Manhã com o Inferno. Há toda uma metáfora sobre a Esperança, que é excelente, e descobrimos que Lúcifer entrou numa jornada em busca da mãe de um filho seu. Também é o pontapé para a sua nova revista.

Voltando à fenda no Sonhar, a sacada aqui é que Daniel Hall, o próprio Sonho, não quer ser encontrado. Ele simplesmente sumiu, inclusive o seu quadro na galeria dos Perpétuos foi violado. Lucien não sabe o que fazer e, como efeito colateral, tanto ele quanto outros sonhos estão esquecendo suas próprias funções. E um ponto bem legal nessa sequência é quando Matthew aparentemente encontra com Daniel e ele, seu senhor, faz o corvo “acordar“. E como acontece com a maioria de nós, Matthew desperta no Sonhar, mas não lembra com o que “sonhou” (no Mundo Desperto). E esse é o plot que vai guiar essas personagens na nova revistar do Sonhar.

O Universo de Sandman é uma edição especial divertida, principalmente por vermos novamente personagens interessantes que andavam sumidos e também por trazê-los de volta à uma nova geração que talvez nem conheça o que foi e qual a importância de Sandman no passado. Claro que o leitor de primeira viagem pode achar a história meio aleatória, principalmente pela quantidade de semiplots, mas é um vislumbre do quão rico é este universo. Claro que possui seus pontos negativos. A começar pela ausência do próprio Sandman, o perpétuo responsável pelos Sonhos. Apesar dele surgir num trecho, a história principal gira em torno do seu sumiço. As passagens pelos outros mundos também é um tanto artificial, com exceção do Lúcifer, que ganhou um destaque maior. Mas mesmo assim é um Lúcifer bem diferente do que estamos acostumados a ver. Como são passagens rápidas, a edição de fato só serve como introdução às novas séries, perdendo seu valor como história individual. E esse é um ponto que vale lembrar do Neil Gaiman, o criador original e célebre autor, que sempre transformou em histórias maravilhosas até mesmo uma simples edição única da série principal.

Ao fim de Universo Sandman poderemos, finalmente, mergulhar nas novas revistas mensais ambientadas nele: O Sonhar, escrito por Si Spurrier e arte de Bilquis Evely, trazendo Lucien, Caim, Abel e cia; a nova Casa dos Sussurros, escrito por Nalo Hopkinson e arte de Dominike Stanton, com a deusa Vodu Erzulie Freda; a jornada de Tim Hunter e o mundo da magia em Livros da Magia, escrito por Kat Howard e arte de Tom Fowler; e finalmente Lúcifer, escrito por Dan Watters e arte de Max e Sebastian Fiumara, com um Estrela da Manhã perdido e sem memórias. Todas as 4 revistas possuem histórias interessantes e chamaram minha atenção, principalmente do Sonhar. Espero poder ler e resenhar aqui o primeiro arco de cada uma, pelo menos.

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