[Especial] Wolverine e os X-Men: O Último dos Frankenstein e Aprendizado Selvagem!

[Especial] Wolverine e os X-Men: O Último dos Frankenstein e Aprendizado Selvagem!

Arcos Principais: O Último dos Frankenstein (The Last Frankenstein) e Aprendizado Selvagem (Savage Learning).
Publicação Original/ Brasil: Wolverine and The X-Men #19-29 (Marvel, 2013)/ Wolverine #1-6 (Panini, 2014).
Roteiro/ Arte: Jason Aaron/ Nick Bradshaw, Steven Sanders, David Lopez, Ramon K. Perez.

Enfim cheguei à fase Marvel NOW, após os eventos de Vingadores Vs. X-Men. Enquanto o autor Brian Michael Bendis ficou responsável pelas duas revistas principais dos mutantes com Novíssimos X-Men (trazendo os X-Men originais do passado pro presente) e Fabulosos X-Men (focando na Revolução do Ciclope), Jason Aaron (A Poderosa Thor) se manteve com Wolverine e os X-Men mas, em vez de apresentar alguma coisa mais nova ou alguma consequência da saga anterior, simplesmente fez um arco (O Último dos Frankesntein) bem Let’s Go, sem tanta reviravolta ou novidades, a mesma coisa do arco seguinte (Aprendizado Selvagem), com destaque para os novos personagens que surgem na Escola Jean Grey. Review especial com spoilers desses dois arcos.

O ÚLTIMO DOS FRANKENSTEIN

A primeira coisa que fica bem evidente, principalmente depois de ler o começo das séries do Bendis, é que o Jason Aaron praticamente ignorou essas principais mudanças pós-Vingadores Vs. X-Men e escreveu um arco mais genérico. Então nada de X-Men originais ou grandes referências à Revolução do Ciclope. No arco, todos os professores da Escola Jean Grey somem da noite pro dia, misteriosamente. As crianças, sem ninguém pra vigiá-las, acabam saindo e descobrindo a chegada de um Circo dos Horrores na cidade, com palhaços insanos e, pra surpresa de todos, encontram os professores com roupas circenses, sem memória e loucos pra matá-los. O embate entre os meninos e os professores, a fim de descobrir sobre o Circo, é o foco principal nesse arco, mas acontece outras coisas mais interessantes. A primeira delas é que Nim, o mutante da Ninhada, não morreu com o tiro do Clubinho do Inferno. Ele entrou numa espécie de coma, com o Fera tentando de tudo para reanimá-lo. Uma tarefa difícil, já que todo mundo é especialista em matar a Ninhada. Uma outra mudança é a contratação da Tempestade como diretora da Escola e o Anjo passando a recrutar novos membros, sendo a Garota-Tubarão um deles, com direito ao Anjo descer em Recife, aqui no Brasil, pra tentar recrutá-la. Um recrutamento complicado, já que a menina é meio marrenta, além da Mística aparecer pra tentar fazer o mesmo. O legal nessa parte é a garota dar uma dentada na cabeça da Raven, além da própria azulona utilizar seus poderes de maneira diferente, se esticando e criando novas partes do corpo, algo difícil de se ver. Uma outra novidade na equipe é o Ocular, um menino cheio de olhos pelo corpo.

O líder do Circo é o próprio Monstro de Frankenstein, que nesse universo matou seu criador séculos atrás e que, desde então, vem na vingança de eliminar todo membro da família Frankenstein, chegando até a cidade, dando de cara com Maximilian, do Clubinho do Inferno, que é o último deles. Além do encontro da galera toda, com muita porradaria, o interessante aqui é a evolução da Oya, que saiu daquela figura católica e cheia de medo e pecado, se transformando numa menina também católica e cheia de pecado, mas também furiosa e sem medo de ser a assassina que ela acredita ser. Inclusive a missão do Maximilian era de tentar recrutá-la para o Clube do Inferno, porém os planos saem dos trilhos com a chegada do Monstro e dela, inclusive, salvando a sua pele uma vez. Um dos melhores momentos é quando a Oya enfrenta a Bruxa do Circo, tacando fogo e a queimando viva. O desenhista Nick Bradshaw (Danger Girl) é o principal desse arco, seguindo a ideia de traços mais cartoons da série e com cenários bastante detalhados. Apesar de divertido, é o típico arco em que não muda muita coisa, já que tanto a Bruxa quanto o Monstro de Frankenstein fogem, os professores voltam ao normal e vida que segue.

APRENDIZADO SELVAGEM

Se existe um lugar no universo dos mutantes que não gosto, este lugar é a Terra Selvagem. E este segundo arco pós-AvsX ocorre justamente lá. O Wolverine acredita na brilhante ideia de que levar os alunos mais problemáticos pra Terra Selvagem, passar 24h sem nenhum contato com o exterior, sobreviver na marra, é uma aula e tanto. Um arco com vários flashbacks e vai e vens no tempo, pra entendermos o que levou o Wolverine a fazer isso. E também é quando vemos a Jean Grey do passado aparecendo, com o Quentin dando em cima dela. Um outro ponto que você fica WTF? é quando a Tempestade, logo após uma conversa com o Pantera Negra, recebe um SNIKT no coro cabeludo, adotando mais uma vez seu visual punk de moicano, para depois lascar um beijo na boca do Wolverine como agradecimento. Mas voltando pra Terra Selvagem, Wolverine levou uma equipe e tanto: Kid Ômega, Oya e um recém recuperado (e agora selvagem e na coleira) Nim, Garota-Tubarão, Ocular, Ninfa, Glob Herman e Gênesis.

O desenhista principal é Ramon K. Perez (Nova), que foge um pouco da pegada mais cartoon, num estilo mais detalhado e ágil que curto bastante. Antes de comentar o plot twist do arco, queria falar do Glob Herman. Ele é um personagem que está aí desde 2001, quando surgiu os Novos X-Men do Morrison, possui um visual bem inusitado, porém nunca é bem explorado. Ele sempre fica de escanteio, aparecendo em quase toda cena na Escola, mas nunca tem sua própria história. E aqui na Terra Selvagem não é diferente, ele mantém a pose de durão e que tá nem aí com a equipe. Os planos do Wolverine vão por água abaixo quando seu meio-irmão Cão Logan, lá da mini Origem, surge de suas viagens no tempo com o intuito de matá-lo por pura vingança, de pegar as crianças pra ele e ensinar a lutar de verdade, com armas e tudo. Pra piorar, Oya também liga o foda-se se esconde nas montanhas com o Nim, na ideia de morar na Terra Selvagem, fugir desses problemas todos. Certa ela! E enquanto Wolverine luta contra uma corda viva que insiste em enforcá-lo, o Cão entrega armas pra todas as crianças e também tem a brilhante ideia (deve ser de família) de trazer do passado e do futuro alguns grupos distintos, como selvagens e sentinelas, pro lugar. A fim de fazer as crianças brigarem com eles. Quer dizer…

Particularmente, não comprei muito a ideia desse Cão Logan, principalmente a sua vingança. O Wolverine talvez seja o principal mutante da Marvel, aparecendo em tudo quanto é lugar, o que também rende as histórias mais clichês. E alguém querendo se vingar dele é uma delas. Todo mundo quer fazer isso. Tanto a ida pra Terra Selvagem, quanto trazer essas outras pessoas pras crianças enfrentarem, são ideias bem de jerico, que não convencem muito. E como no arco anterior, mais uma vez termina com a impressão de que nada mudou. Tanto o Cão quanto quem ele trouxe do Tempo fogem, assim como a turma volta pra casa. O destaque fica justamente para o Glob, que espero que tenha uma história melhor desenvolvida a partir de agora: ele trai a equipe e foge com Sauron, imaginando que fará parte da nova Irmandade do Clube do Inferno, mas parece que as coisas não serão assim tão fáceis pra ele. A edição #29, que fecha tudo isso, mostra o Wolverine fazendo um discurso bastante inspirado para todo mundo na Escola, enterrando uma capsula do tempo. E, 25 anos depois, temos o Velho Logan abrindo essa capsula e resolvendo dar umas dicas ao Logan do passado. E uma outra perda para o time: Oya, outra personagem que ganhou merecido destaque, também parte para a nova Escola do Clube do Inferno, abandonando o Nim. Foram dois arcos divertidos, porém que não me empolgaram tanto, principalmente por trazerem histórias mais genéricas e sem tanto foco com o que realmente tava acontecendo na época, que era essa reviravolta com os X-Men originais e a Revolução do Ciclope.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br