[Especial] Mulher-Maravilha Rebirth: A Verdade!

[Especial] Mulher-Maravilha Rebirth: A Verdade!

Arcos Principais: A Verdade (The Truth).
Publicação Original/ Brasil: Wonder Woman #13, #15, #17, #19, #21, #23 e #25 (DC, 2017)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Greg Rucka/ Liam Sharp.

Os quatro primeiros arcos da Mulher-Maravilha nesse Rebirth (edições #1-25) seguiram um esquema diferente de narrativa: com as edições ímpares ocorrendo no presente; enquanto as pares, no passado. O primeiro arco, As Mentiras, traziam a Diana lidando com uma perda de memória e a impressão de que muitas coisas de sua vida foram uma ilusão. Enquanto o segundo, Ano Um, recontou toda a origem da heroína, desde quando saiu de Themyscira até ganhar seus poderes. Este terceiro arco, A Verdade, vai da edição #13 à #25 (somente as ímpares) e acrescenta (e muda) coisas da mitologia da personagem, alterando muito do que tínhamos como verdade! Review especial com alguns spoilers.

A VERDADE

No final de As Mentiras, Diana e Trevor chegaram numa ilha do Mar Morto, imaginando ser o local onde o portal para Themyscira estava. Porém tudo explodiu em sua mente, com ela entrando num estado amnésico e dizendo que tudo o que viveu foi uma mentira. Então, neste arco, Trevor tenta recompô-la e ajudá-la a sair da ilha, já que uma equipe da Coronel Maru está vindo sequestrá-los. Ele também descobre que Etta Candy e a Dra. Minerva, que tinha conseguido se livrar da maldição da Mulher-Leopardo, estão desaparecidas. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com a desorientação da Diana. Temos várias dicas do que vai ocorrer durante todo o arco, que foca nessa confusão.

A fim de protegê-la, Diana é colocada num Hospital psiquiátrico, sendo vigiada por Davy, enquanto não lembra totalmente das coisas. Interessante que ela, por diversas vezes, tem um papo com uma serpente que sai da mordida no seu braço. Uma conversa mental, claro, mas são sequências bem surreais que retratam essa loucura, com o animal questionando o que é real e o que é apenas fato. Temos também a adição do Ferdinand, o minotauro, que funciona como um link da Diana com o seu passado. Ao mesmo tempo, a Veronica Cale e seu time (Coronel Maru e Dra. Cyber) estão fazendo de tudo pra poder encontrá-los. É a única maneira dela conseguir contato com Themyscira, acreditando que assim poderá tirar uma maldição que foi imposta em sua filha.

Eventualmente a Diana retoma seu papel como Mulher-Maravilha e aí começam as diversas bombas em cima do leitor, transformando muito de sua mitologia. Logo no início temos algumas cenas em Themyscira, com a Rainha Hippolyta e a General Phillipus (que tenho a impressão de serem um casal) pressentindo que a princesa não conseguiu finalizar sua missão. Ou seja, a Diana não se lembra como voltar pra casa porque ela nunca voltou! BAM na cara do leitor. Até a Etta Candy se surpreende num determinado momento, dizendo que ela voltou várias vezes. Mas eram, aparentemente, ilusões. Essa é a grande questão que o arco trata, de maneira bem bacana. Outros personagens que surgem são Ares e seus capangas Deimos & Phobos, os emissários do terror e pânico nas guerras. Inclusive os dois, que são gêmeos, ganham personificações humanas muito boa.

As cenas em Themyscira também se destacam. É ótimo ver como as amazonas são destemidas, criando um esquadrão pra bater de frente com seja lá o que querem atacá-las. Castalia, num momento, protagoniza uma cena a lá “you shall not pass!”. A organização da Veronica Cale tem uma grande importância, sendo uma das responsáveis por religar o link entre os dois mundos e por colocar a Mulher-Maravilha de volta em rota. Greg Rucka () vem fazendo um trabalho interessante na série, bem consistente. A Verdade é melhor que As Mentiras, fugindo dos clichês do gênero, mas sinto que ainda falta alguma coisa pra engatar de vez. Sem contar que com tantas mudanças, é difícil saber o que agora é cânon ou não. Liam Sharp () continua nos desenhos (menos a #13), com sua pegada mais clássica, criando amazonas super musculosas, algumas bem masculinizadas, e trazendo suas já habituais cenas de perfil. Um ponto que já cheguei a comentar nos reviews anteriores, mas que volto a falar, são como surgem alguns fanservices. Trevor adora ficar descamisado, Ares aparece quase nu, há várias indiretas entre as amazonas e assim por diante. Que continue!

EDIÇÃO ESPECIAL #25

A edição #25 é um pouco maior e funciona como um epílogo pro arco. A Mulher-Maravilha passa a se distanciar da Liga da Justiça, sendo mais curta e grossa. O Batman e o Superman tentam conversar com ela, descobrindo todo o lance das verdades e mentiras. Acontece que ela está furiosa com tudo isso, de ter sido enganada, acabando por enfrentar a criatura que tinha aparecido no arco Imparável do Aquaman, dando um chute na bunda dela e quase saindo e batendo a porta na cara dos colegas de equipe. Ela pensa que os Deuses a abandonaram, protagonizando uma das cenas mais bonitas, quando olha para o próprio reflexo e percebe quem está ao seu lado. Apesar da confusão, essas edições marcam um reinício, com a #26 quebrando essa alternância entre as épocas. Também é bem meigo ver o Trevor se esforçando pra fazê-la feliz, além da diferença entre as abordagens do Superman, sentado e todo encolhido numa rocha, com a do Batman, direto ao assunto.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br