[Especial] Mighty Morphin Power Rangers Vol. 1: Ranger Verde - Ano Um!

[Especial] Mighty Morphin Power Rangers Vol. 1: Ranger Verde – Ano Um!

Mighty Morphin Power Rangers Quadrinho Volume 1 Destaque

Arcos Principais: Sem título.
Publicação Original/ Brasil: Mighty Morphin Power Rangers #0-4 (BOOM! Studios, 2016)/ Mighty Morphin Power Rangers: Ranger Verde – Ano Um (Pixel Media, 2017).
Roteiro/ Arte: Kyle Higgins/ Hendry Prasetya.

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Está saindo nos EUA uma nova série em quadrinhos dos Mighty Morphin Power Rangers pela editora BOOM! Studios. Não é a primeira vez que vemos uma adaptação da série televisiva, nos anos 1990 a editora Hamilton produziu alguns especiais e até a Marvel fez o mesmo, mas só agora temos uma série periódica e com qualidade. A edição #0 foi publicada em janeiro de 2016, enquanto a número #1 saiu em março. Sendo uma espécie de reboot, a revista é totalmente inspirada nas primeiras temporadas da série, com os cinco Rangers originais, vilões, coadjuvantes e tudo mais, mas não é propriamente uma continuação. Também não tem a ver com o filme que está pra ser lançado. Este review comenta o primeiro arco (#0-4) que ganhou o título genérico de Ranger Verde – Ano Um e foi super bem recebido pela crítica, com o futuro da série prometendo um cross-over com a Liga da Justiça, inclusive. Sem spoilers!

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Antes dos comentários, interessante contextualizar os Power Rangers: a série foi criada em 1993 pela Fox Kids inspirada no gênero japonês Tokusatsu, que apesar de ser algo amplo (envolvendo filmes de ficção e fantasia), é mais conhecido por suas séries com esquadrões coloridos enfrentando monstros gigantes, como Super Sentai, Ultraman e Kamen Rider. Mighty Morphin Power Rangers seguia a receita à risca: esquadrão com cinco membros (e o Vermelho como líder), cada qual com seu mecha (os robôs) enfrentando exércitos do mal e kaijus (os monstros estilo Godzilla). A série até mesmo utilizava de cenas do original japonês, na cara larga! Nem preciso dizer que foi um fenômeno, rendeu várias temporadas, MUITAS sequências e inúmeros produtos, se transformando numa franquia milionária e icônica. Este novo quadrinho é apenas uma das facetas dos Power Rangers, que veio pra tentar retomar a febre que foi e pegar o embalo do novo filme. Apesar da sensação nostálgica, eles nunca pararam e inclusive começaram, agora em 2017, a 24ª temporada: Ninja Steel!

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Voltando ao primeiro arco do quadrinho, ele traz todas as características principais da série original e, quem gostava de assistir, vai se sentir em casa. O roteirista Kyle Higgins (Batman do Futuro 2.0) fez um ótimo trabalho em reapresentar toda a equipe, já consolidando o status quo de cada um para aqueles que não lembram ou são leitores de primeira viagem. Como comentei, ela ocorre no mesmo contexto da primeira temporada, mas não se trata de continuação. Os Rangers originais (Vermelho, Azul, Preto, Rosa e Amarela) estão com dificuldades em aceitar o Ranger Verde na equipe, já que ele havia sido dominado pela bruxa Rita Repulsa e, mesmo fora de seu controle, ainda é influenciado por ela. Esse primeiro arco foca na relação deles e em como Tommy, o Ranger Verde, vai conseguir eliminar a presença de Rita e provar seu valor pros demais.

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Logo no início temos o Megazord (combinação dos Zords originais) e o Dragonzord (do Verde) lutando contra um monstro gigante em meio a cidade, precisando afastá-lo dos civis e levá-lo à uma área mais deserta. Só que o Dragonzord não responde a todos os movimentos de Tommy, gerando uma confusão e colocando sua confiança em cheque. Um ponto legal dos Power Rangers é que você precisa entrar na magia: tudo é muito caricato e exagerado. Não tem as faíscas saindo de cada golpe que tínhamos na série original (uma pena!), mas todo o resto está aqui: os monstros, a hora de morfar com raio, os Zords animais, as arminhas de mão, cidade sendo pisoteada todo dia, uniformes extravagantes e por aí vai. O que é ótimo, diga-se de passagem, não ficando naquela tentativa frustrada de parecer algo mais sério.

Mighty Morphin Power Rangers Volume 1 4

Os personagens continuam super carismáticos. Cada Ranger tem seu potencial e sua personalidade, apesar de uns se destacarem mais que outros: Jason (Vermelho) é o líder tradicional, sempre tomando à frente e corajoso, rivalizando com Tommy (Verde), que também possui traços de liderança, mas é mais reservado e misterioso; Billy (Azul) é o nerd inseguro e responsável pela parte tecnológica; Zack (Preto) é desconfiado e pavio curto (um pouco diferente da série original); enquanto Kimberly (Rosa) é a menina meiga e patricinha; e Trini (Amarela) é a sensata e mais equilibrada. Higgins tenta deixar claro esses pontos principais da personalidade de cada um nesse primeiro arco, fora o convívio deles com Zordon e Alpha. Os vilões seguem a mesma linha caricata, com destaque para a principal arqui-inimiga: Rita Repulsa; que mais parece ter saído de um clipe da Madonna, com peitos de cone, chifres, vestido e cajado mágico. Ela é sensacional. Seus aliados também fazem presença: os soldados Scorpina e Goldar, além de Finster, o mago que cria os homens de massa. Sim, não podemos esquecer dos soldadinhos de massinha que aparecem aos montes na Terra. Eles também estão presentes no quadrinho.

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Outro ponto que merece destaque é o funcionamento dos Zords, explicando o papel das adagas e das moedas que ativam e controlam os robôs, que seguem o mesmo estilo de outras séries com Mechas: a pessoa tem uma ligação especial com sua máquina que vai além da parte mecânica. A arte é feita por uma dupla pouco conhecida: os desenhos são de Hendry Prasetya, sendo seu primeiro trabalho grande; enquanto as cores são de Matt Herms, que trabalha em revistas como Sonic e Mega Man. Uma arte muito bonita e vibrante, com boas cenas de ação e ponto alto para a luta entre os Zords, a própria hora de morfar e alguns momentos que fazem tributo aos Tokusatus originais, como uma kaiju saindo da água numa sequência incrível. Um outro ponto positivo é que Prasetya não tenta simular o rosto dos atores originais (como aconteceu com Arquivo X – Temporada 10). Cada edição possui uma história curta e paralela protagonizada por Bulk e Skull, nos mostrando a visão deles em torno dos Power Ranges. Este volume um foi lançado no Brasil pela editora Pixel, que pretende dar continuidade à série. Trata-se de um primeiro arco muito gostoso de ler, trazendo uma roupagem moderna dos Esquadrões Multicoloridos, mas ainda nostálgico para os fãs, indo além do que era mostrado na série de TV. Resta saber se a qualidade continua, com boas histórias, ou se vai cair nas adaptações de séries/ filmes (como o próprio Arquivo X) que escoram muito no original, esquecendo de realmente “criar” e estabelecer uma nova mitologia.

Ah, vale lembrar que a Netflix possui quase todas as temporadas da franquia! E que a Ranger Rosa já tinha dominado o Brasil.

Raner Rosa Meme

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br