[Especial] Art Ops Vol. 1: Como Iniciar um Tumulto!

[Especial] Art Ops Vol. 1: Como Iniciar um Tumulto!

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Arcos Principais: Como Iniciar um Tumulto (How To Start a Riot) e Amor Moderno (Modern Love).
Publicação Original/ Brasil: Art Ops #1-6 (Vertigo, 2015)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Shaun Simon/ Mike Allred e Matt Brundage.

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Art Ops é uma nova série da Vertigo que começou a ser publicada em dezembro de 2015 e teve seu primeiro volume (coletando as edições #1-6) lançado recentemente: Art Ops Vol. 1 – How To Start a Riot, algo como “Art Ops Vol. 1 – Como Iniciar um Tumulto”. Ainda inédito no Brasil. O roteiro é de Shaun Simon, um autor com pouca experiência no mainstream: escreveu duas minisséries para a Dark Horse (Neverboy e The True Lives of the Fabulous Killjoys, ambas inéditas no Brasil) e Art Ops é sua primeira série para o selo Vertigo da DC.

A arte é do consagrado e incrível casal Allred: Mike Allred assina os desenhos, enquanto Laura Allred é responsável pelas cores; dois artistas conhecidos pelo estilo característico, voltado ao (bom) cartunesco, ao nonsense, sexo e violência. São deles os quadrinhos autorais Madman e Red Rocket, além da incrível X-Táticos para a Marvel, a recente iZombie pra Vertigo e edições especiais do Batman para a DC. Matt Brundage é um novato que também auxilia dos desenhos.

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Art Ops possui uma ideia muito interessante: a arte é viva. Simples assim, mas que pode abrir muitas possibilidades. A Art Ops é uma empresa secreta que possui agentes (os Arts Operatives ou Operativos das Artes) responsáveis por encontrar, prender ou matar “artes”: figuras, pessoas, objetos que se cansam da moldura e partem para o mundo real. Uma espécie de “MIB” do universo artístico. O protagonista é Reggie Riot (ou Reggie Tumulto), que é atacado por uma arte e tem seu braço direito decepado, além de sua namorada assassinada. Ele descobre que sua mãe (Regina Jones) é a maior agente da Art Ops, que lhe dá um braço novo de “tinta”.

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Uma ideia muito boa: afinal, estamos falando de arte com um dos artistas mais “pop” dos quadrinhos. Eu também criei bastante expectativa, já que é minha area de estudo e profissão. Mas o desenvolvimento me frustrou um pouco. Sabe aquela história que queríamos gostar muito mais, mas que não rolou? Foi essa a sensação que tive.

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Tudo começa quando Regina Jones está no Louvre, pegando a Mona Lisa de seu quadro e colocando uma substituta no lugar. Está ocorrendo diversos roubos de arte por corporações criminosas, então é importante preservar as mais notórias. Mas, numa reunião da Art Ops, algo misterioso acontece e todos os agentes desaparecem. Apenas The Body (o Corpo), um personagem de HQs, permanece ativo e responsável pela Mona Lisa. Com Regina desaparecida, o próximo na liderança é o novato e rebelde Reggie.

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Assim surge o grupo principal da série: O Corpo, Mona Lisa, Reggie e mais duas personagens especiais, a humana J. Gorgeus (metida a blogueira) e Isabella, uma estrela esquecida de filmes B que adquiriu juventude eterna. Um “elenco” contido e que funciona muito bem em conjunto, com diversos momentos engraçados. Em paralelo, uma mulher/arte revoltada fugiu de sua moldura e está recrutando outras artes para acabar com a Art Ops, utilizando um spray deformador em alvos como a Estátua da Liberdade e na escultura de David do Michelangelo, gerando os conflitos deste primeiro volume.

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Algumas subtramas são boas, como a rebeldia de Mona Lisa, que radicaliza raspando o cabelo e usando roupas “punks”. O Corpo também é um ótimo personagem, usando seus superpoderes e referências da sua história em quadrinhos. Outro ponto alto é a “fidelidade técnica” às artes que aparecem, como a altura de David (que mede mais de 5m) ou o tamanho do quadro da Mona Lisa, que é bem pequeno e geralmente retratado como algo maior.

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E falando em referências, é algo que não poderia faltar numa história como essa. Temos das mais variadas, indo de famosas pinturas como O Grito do Munch à algumas mais discretas, como uma cena sombreada cheia de personagens de quadrinhos, de Morte do Sandman ao próprio Madman do Mike Allred. Mas poderia ter mais. E esse é um ponto interessante de comentar em Art Ops: poderia ser mais, ter mais, ir além. Um Mona Lisa que simplesmente sai da tela, fala inglês e quer se tornar uma típica novaiorquina revoltada é assustador, apesar de alguns momentos engraçados. Reggie Riot é outro que não chega a ser carismático e acaba trabalhando na contra mão, já que detesta arte.

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O mundo de Art Ops ainda possui vários pontos em relação à “arte” dos quais estranhei um pouco. A vilã, por exemplo, parece simplesmente atacar as demais obras por serem “bonitas” e chamarem mais atenção que ela, retratada como uma mulher deformada ao estilo cubista. Salvam-se as obras tirando apenas sua figura humana de dentro da moldura. Quer dizer, o resto da pintura não tem importância alguma? E as naturezas mortas? E ainda sobre a “beleza” (já que a vilã pega um modelo do Belo grego e da liberdade e justiça norte-americana para deformar), tudo se resume a isso? Arte feia e arte bonita? Ainda senti um pouco de descrédito à arte de rua, como quando a vilã critica alguns grafites por não terem capacidade de fazerem uma missão que ela pediu.

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Sim, são detalhes que talvez possam passar despercebidos. Mas que fazem toda a diferença, principalmente pela temática da série que já se autointitula “Art Ops”. Felizmente, há pontos interessantes. O Grito do Munch faz uma ponta incrível e a ideia de usar O Cubo de Tony Rosenthal, que fica em Manhattan, como um portal secreto pra uma “prisão” de arte foi genial. A arte de Mike Allred sempre é fantástica, além de todas as capas serem, no mínimo, ótimas. É a típica arte que raramente desaponta. Ainda temos uma participação mais que especial de Eduardo Risso (100 Balas, Homem do Espaço) numa edição. Art Ops se apresenta uma série com bastante potencial, uma ideia ótima com diversas possibilidades, mas que ainda escorrega e peca pelo desenvolvimento hollywoodiano e, caindo na ironia, menos “artístico”. Ainda é inédito no Brasil, mas provavelmente a Panini publique ano que vem. Fica a expectativa pelo Volume 2, que a Vertigo deve lançar ainda esse ano.

nota 7,5 d

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A série vem sendo traduzida por fãs.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br