[Especial] Surubotron: A Máquina do Sexo!

[Especial] Surubotron: A Máquina do Sexo!

Arcos Principais: One shot.
Publicação Original/ Brasil: Surubotron (DeadHamster, 2013).
Roteiro/ Arte: Davi Calil.

Surubotron é uma HQ curta lançada em 2013 pela DeadHamster, escrita e desenhada por Davi Calil (Quaisqualigundum), sendo seu primeiro trabalho autoral, narrando a vinda de um Alien pra Terra, um Cientista traído e um Nerd virgem, desencadeando inúmeras situações surubonescas quando uma grande máquina do sexo faz com que as pessoas tirem a roupa e comecem a transar com todos ao redor. Uma leitura divertidíssima que te prende do início ao fim, pegando como inspiração a estética de filmes B de ficção e dos videogames, que acabei descobrindo fuçando no catálogo da Social Comics. Review sem muitos spoilers!

SURUBOTRON

Tudo começa quando uma nave espacial cai na Terra, liberando um Alien com rosto de mosca e com anteninhas, que passa a viver em meio aos humanos pra procurar uma capsula que deixou cair durante a descida. Essa capsula foi encontrada por um Cientista que também encontrou sua esposa o traindo com outros dois homens, com a boca na botija. Literalmente. Pra se vingar, ele decide usar a capsula numa grande máquina e transformar o mundo numa grande putaria, já que ela faz com que todos liberem geral sua libido, tirando a roupa e transando com quem tiver por perto. É quando entra nosso terceiro personagem, o Nerd virgem que descobre ser esse o seu dia de sorte. Calil, mesmo em poucas páginas, constrói todo um contexto muito rico de detalhes, graças aos seus desenhos mais cartunescos, em boas diagramações, ocupando muito bem o espaço das páginas. E o mais interessante é que, apesar de um texto ou outro, a HQ é praticamente muda: vez ou outra surge um balão com uma onomatopeia ou um desenho. Quebrando um pouco a barreira da língua.

É aí que começa algumas das ótimas sacadas do autor. O Alien, por exemplo, só “emite” um balão com o desenho de um cocô nele. Ou seja, “deu merda” é um conceito universal! Outro ponto interessante é que não há pudores nos desenhos, tudo é bastante explícito. Então não se deixe enganar pelo traço mais infantil das personagens. Eu fiquei de boca aberta a leitura inteira! Tudo muito sexual, como quando uma mulher olha pro Nerd e associa seu narigão à outra coisa grande. Aliás, tudo é bem fálico, da torre que emite o sinal surubotrônico à cabeça do Cientista, quase um saco. Acabei lembrando um pouco de Arzach, a HQ do Moebius onde reina a simbologia fálica. Claro que o clímax ocorre quando a catarse surubonesca ganha o mundo e o autor aproveita pra fechar a história numa reviravolta, brincando com a coisa do “e se todos andassem pelados“? E se tudo fosse permitido? E se não houvessem moral ou bons costumes pra censurar as pessoas? O que iríamos preferir? Algo legal a se pensar, mas que já sabemos muito bem a resposta! Essa questão e os símbolos fálicos acabam reforçando uma ideia que o Freud elaborou há 100 anos, de que é a força sexual (ou dos desejos) que move a humanidade. E ele não poderia estar mais certo! Fecha a edição algumas pin-ups e capas alternativas feitas por diversos artistas. A Social Comics tem várias HQs mais alternativas, valendo a pena fuçar seu catálogo pra encontrar esse títulos, muitas com temática sexual como Surubotron e Cornucópia.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br