[Especial] Grandes Astros - Batman Rebirth: Meu Pior Inimigo!

[Especial] Grandes Astros – Batman Rebirth: Meu Pior Inimigo!

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Arcos Principais: Meu Pior Inimigo (My Own Worst Enemy).
Publicação Original/ Brasil: All-Star Batman #1-5 (DC, 2016)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: Scott Snyder / John Romita Jr.

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A DC tem o costume de reestruturar seu Universo de maneira mais agressiva que a Marvel, que prefere manter toda sua cronologia, mas reiniciando as revistas e tomando novos rumos de tempos em tempos (como a recente All-New, All-Different Marvel). Já a DC teve eventos mais drásticos como a Crise nas Infinitas Terras em 1985, que alinhou a história de todos os personagens, e mais recentemente os Novos 52 em 2011 que foi mais radical, reiniciando toda a cronologia (com poucas exceções). Algo que divide opiniões, mas que abocanha novos leitores e boas vendas a curto prazo. E nem 5 anos após os Novos 52, a DC resolve organizar a casa mais uma vez! DC Rebirth (ou Renascimento) começou em maio de 2016 e zerou todas as suas séries, mas mantendo os acontecimentos dos Novos 52 e agregando pontos de sua cronologia anterior. Uma espécie de reboot, mas com um apanhado geral de toda sua história. Este review comenta o primeiro arco da mensal All-Star Batman (#1-5): My Own Worst Enemy (Meu Pior Inimigo em tradução livre), sem spoilers significativos.

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O selo All Star da DC (Grandes Astros no Brasil) surgiu em 2005 no intuito de trazer grandes equipes criativas trabalhando com medalhões da editora, além de terem liberdade para fazerem o que achar melhor, sem precisar se prender na cronologia. Só que a proposta flopou e rendeu apenas dois títulos: Grandes Astros Superman, por Grant Morrison e Frank Quitely, que foi super aclamado pela crítica; e Grandes Astros Batman e Robin, por Frank Miller e Jim Lee, que atrasou quase 2 anos pra ser terminada e foi vaiada pelos fãs. A DC quase desistiu da ideia, colocando na gaveta os projetos com a Mulher-Maravilha e Batgirl, mas resolveu dar uma nova chance: como parte do Rebirth, All Star Batman é escrito por Scott Snyder (Vampiro Americano, Wytches) e pretende reunir um artista e um vilão diferente a cada arco. Nesse primeiro temos John Romita Jr. com o Duas-Caras, numa aventura frenética e muito boa.

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Ocorrendo na continuidade da DC Rebirth, Meu Pior Inimigo é quase um road-movie: Batman sequestra Duas-Caras e atravessa o estado para levá-lo a um misterioso lugar, onde estaria a “cura” para o distúrbio de personalidade do vilão, conseguindo aniquilar a personalidade má, deixando apenas a de Harvey Dent. Os dois foram colegas na infância, convivendo juntos num reformatório do Arkham, fazendo com que há uma certa compaixão do Batman por ele, que sofria abusos do pai. Mas enquanto Harvey deu algumas coordenadas para Bruce, de onde estaria esta cura, sua outra personalidade quer tentar impedi-lo a todo custo.

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E a maneira que o Duas-Caras teve de aniquilar o Batman é simples: a partir de uma gravação, anuncia na TV que irá entregar a fortuna dos três mafiosos mais ricos de Gotham (dentre eles o Pinguim) para aquele, seja vilão, herói ou cidadão comum, que conseguir matar Batman e liberá-lo. Se não fizerem, no dia seguinte todos os segredos mais sórdidos do alto escalão de Gotham serão revelados. Assim, vários vilões de pequeno escalão e até pessoas de cidadezinhas acabam entrando no caminho do herói, atrapalhando a viagem de quase 500 milhas até o local misterioso. Até mesmo o mordomo Alfred parece ter algo a esconder.

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Um ponto positivo no roteiro do Snyder é focar no relacionamento dos dois, através de vários flashbacks. A narrativa, apesar de linear, é contada com vários trechos “no passado” e “no futuro”; um pouco confuso no início, mas que se pega o jeito rápido. Há também uma backstory que acontece ao fim da história principal, focando em Duke Thomas, o novo ajudante do Batman, seu treinamento e passado. No começo também é estranho ver o Homem-Morcego dirigindo um caminhão em alta velocidade ou lutando em plena luz do dia, mas a violência das brigas compensam.

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Os vilões que aparecem e querem matar o Batman e liberar o Duas-Caras são quase todos do segundo escalão como Aranha Negra, Mariposa Assassina, Vagalume e os irmãos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum. O grande vilão principal, que causa maior temor e que persegue por mais tempo é o KGBesta, que é mortífero e realmente faz um estrago por onde passa. O próprio Duas-Caras se mostra, mesmo acorrentado e arrastado pra lá e pra cá, um grande vilão: num momento, tenta colocar ácido nos olhos de Bruce. Um outro personagem bem interessante a fazer uma ponta é Harold, o super mecânico que já fez várias armas e veículos para o Batman e que fala por língua de sinais (e que era tido como morto até então). A história que acontece em paralelo (não a do Duke, que ainda não mostrou a que veio) é a do Comissário Gordon, que recebeu uma denúncia sobre Bruce Wayne e está indo, junto de um esquadrão anti-bomba, até sua mansão para descobrir se ele possui uma caverna subterrânea e é realmente o Batman. As sequências finais são de tirar o fôlego, já que Bruce está longe e Alfred não pode fazer nada.

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Os desenho são de John Romita Jr. (Hulk Contra o Mundo, Eternos), muito bons e traz uma fisionomia diferente para os personagens, mas nada caricato. Por ser uma road-trip, sua arte consegue ser bem rápida e dinâmica, o que é bom. Por outro lado, Romitinha tem seus haters e muita gente não curte seu traço. Aí só lamentos, mas pra animar os traços são finalizados por Danny Miki, que é uma dos maiores arte finalistas (e responsável por finalizar quase todo o material do início da Image). Há muitas linhas, principalmente pra sombrear, mas é algo que não me incomodou. Além das cores de Dean White (Hit Girl, Fabulosos X-Men), que são ótimas e dão a cara à arte, gosto muito de como estão colocando cores mais vibrantes nas mensais do Batman, como comentei no crossover Noite dos Homens-Monstro. Os três já trabalharam juntos em diversos momentos, então a arte no geral caminha muito bem. Grandes Astros Batman se mostra um título interessante de se acompanhar, com um primeiro arco muito bom, frenético e cheio de ação, além de prometer mais: cada arco pretende trazer Snyder com um artista e vilão diferente, sendo o próximo já confirmado com Jock (Wytches) e o Sr. Frio. A Panini ainda não falou como publicará a série no Brasil, mas provavelmente saia ainda em 2017.

nota 8,5 ;

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br