[Review] Magneto: Testamento!

[Review] Magneto: Testamento!

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Nome Original: X-Men: Magneto Testament #1 à #5
Editora/Ano:Panini, 2010 (Marvel, 2008/ 2009)
Preço/ Páginas: R$22,90/ 132 páginas
Gênero:Drama/ Super-Herói
Roteiro: Greg Pak
Arte: Carmine Di Giandomenico
Sinopse:Para o mundo, ele é o maior terrorista mutante da história, inimigo jurado da espécie humana. Seu nome: Magneto. Porém, muito antes de iniciar sua cruzada pela supremacia do Homo superior, muito antes da Irmandade de Mutantes e dos confrontos contra os pupilos de Charles Xavier, havia apenas um garoto – um menino chamado Max Eisenhardt, idealista e apaixonado, colhido na loucura e no horror da Segunda Guerra Mundial.
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Magneto: Testamento é um título que divide opiniões, variando do médio ao excelente. Toda tentativa de recontar a origem de personagens famosos é vista de forma diferente para cada um, pois sempre ocorrem mudanças, às vezes drásticas, comprometendo a cronologia (ou piorando). Neste título temos a história de Max Eisenhardt (o verdadeiro nome de Magneto) crescendo na Alemanha nazista da década de 1930 e, por ser judeu, sofrendo todo tipo de preconceito.

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Max se destacava na escola, sendo inteligente e se dando bem em certos esportes, porém sempre sendo alvo de críticas por sua origem. Num determinado momento, o diretor não aceita que alguém da “raça” dele possa vencer um alemão numa competição, expulsando-o da escola. Esse foi o início da guerra contra os judeus que surgiria. Nesse período Max foi um garoto relativamente normal, suprindo uma paixão pela cigana Magda e tentando conviver com os xingamentos dos outros. Mas em poucos anos, toda a Alemanha virou de cabeça pra baixo sobre o comando de Hitler e os judeus foram perseguidos e massacrados de todas as maneiras possíveis. É nessa guerra que a HQ se apóia, com a família de Max sendo desmantelada e ele indo parar em Auschwitz, o campo de concentração e extermínio de judeus, ciganos e outras minorias, como homossexuais, opositores e artistas.
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Max sofreu o diabo na mão dos nazistas, sendo obrigado a trabalhar para eles, em troca de comida, ajudando-os a matar outras centenas de judeus e queimando seus corpos. A história nos faz lembrar filmes do gênero como O Pianista e Império do Sol, por ser muito realista quanto à 2ª Guerra Mundial. Se não fosse pelo título, Max poderia ser qualquer outro personagem, pois não há, praticamente, nenhum indício nele que nos faz lembrar do mutante em que se tornaria, com exceção da facilidade em encontrar moedas pelas ruas ou por sobreviver quando levou diversos tiros.

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É nesse quesito que muitos não gostam da HQ, afinal de contas, estamos falando do maior vilão dos X-Men, o mutante terrorista mais temido do mundo e um dos personagens mais querido entre o público. Mas uma coisa temos que concordar, o roteiro de Greg Pak (Hulk, Marvel: 1602) é excelente, é o ponto alto da HQ, mesmo sem caracterizar Max Eisenhardt da forma que imaginamos, o autor utiliza muito bem de fatos verídicos, com uma ótima base histórica, sempre com citações ou passagens muito bem descritas e com diversas notas da Panini pela edição, facilitando melhor o entendimento, como numa cena onde alguns nazistas não toleram que um negro e uma judia possam ter ganho medalhas de ouro em plena Olimpíadas de 1936, cediada em Berlim. É nesse realismo que Magneto: Testamento prima, sem sombra de dúvidas, retratando um dos piores momentos da humanidade.
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Mas ao contrário do roteiro, a arte de Carmine Di Giandomenico (Homem-Aranha Noir) deixa a desejar. Devido ao clima do título, desenhos mais realistas seriam melhor aproveitados, como de Esad Ribic em Namor: As Profundezas. Os traços de Di Giandomenico, apesar de detalhados nos cenários, são simplistas nos personagens e expressões. Os olhos, bem característicos, chegam a incomodar nas primeiras cenas, apesar de se acostumar no decorrer da leitura. O que salva são as cores excelentes de Matt Hollingsworth (Morte, Terra X), que abusa dos tons cinzentos nas cenas que se passam em Auschwitz, além dos contrastes. Apesar de causar estranhamento num primeiro momento, não chega a ser gritante a ponto de comprometer a obra.

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A Panini acertou em não incluir as capas originais entre as histórias, dando um ritmo melhor na leitura, sem interrupções, mas falhou em coloca-las juntas numa única folha, assim elas ficaram pequenas, não nos dando a oportunidade de observa-las melhor, pois são belíssimas. A própria capa do álbum é ótima, com Max enxergando a si mesmo como Magneto numa poça de sangue.
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Então voltamos a Magneto, pois, apesar de tudo, é sua origem. Mesmo sofrendo os piores castigos numa época preconceituosa e extremista, é estranho que mais tarde tenha se tornado o maior líder da supremacia mutante sobre a raça humana, sendo muito parecido com Hitler, contestando o seu “testamento”, onde gostaria que as atrocidades cometidas naquela época nunca mais voltassem. Mas se tentarmos olhar além, acredito que Max e, por que não, os demais judeus presos, gostariam da presença de um líder que os tirassem de lá e acabasse com aquela tortura. Essa é a imagem de Magneto para os mutantes oprimidos, de um salvador, apesar de suas atitudes extremistas serem questionáveis.
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O título faz parte da coleção Marvel Collection lançada pela Panini em 2010, com mini séries completas em álbuns de luxo e com preço acessível. São dessa coleção, também, os títulos Namor: As Profundezas e Mitos Marvel, já resenhados aqui. Sendo assim, o titulo possui capa dura, miolo em LWC e um ótimo preço, além de um posfacio de Stan Lee. Mas de destaque, temos uma HQ curta sobre Dina Babbit, uma sobrevivente de Auschwitz, originalmente lançada em 2008

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Dina Babbit foi levada, junto de sua mãe, ao campo de concentração nazista e, escondida dos soldados, começou a desenhar um quadro da Branca de Neve para as crianças judias, querendo que as mesmas tivessem um pouco de alegria antes de serem executadas. O dr. Josef Mengele, que realizava experimentos médicos com os prisioneiros, observou o talento de Dina e a capturou. Ele a fez, sob ameça de morte, desenhar diversos quadros do rosto de ciganos. A intenção de Mengele era provar a superioridade da raça ariana sobre a cigana. Durante sua prisão Dina fez, em média, 10 retratos. Quando Auschwitz foi destruído, Dina pensou que seus quadros tivessem tido o mesmo destino, porém os mesmo foram encontrados e expostos num museu da Polônia. Desde que soube disso, Dina tenta recuperar seus quadros, porém sem sucesso. Diversos quadrinistas e cartunistas, entre outras pessoas da area, se juntaram à ela nessa jornada. A curta HQ que está neste álbum é um dos exemplos, criada por Rafael Medoff e com os desenhos em preto e branco de Neal Adams e Joe Kubert. É uma adição muito interessante à Magneto: Testamento.
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Magneto: Testamento é um ótimo título da franquia X-Men e, acima de tudo, uma excelente HQ histórica.

nota 9,0 u

*Interessante comentar que Babbit morreu em 2009, pouco depois de sua HQ ser lançada, sem conseguir realizar sua vontade de reaver seus quadros.
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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br