[Especial] Vingadores - Arena Vol. 1: Matar ou Morrer!

[Especial] Vingadores – Arena Vol. 1: Matar ou Morrer!

Arcos Principais: Matar ou Morrer (Kill or Die).
Publicação Original/ Brasil: Avengers Arena #1-6 (Marvel, 2013)/ Avante, Vingadores! #1-5 (Panini, 2013).
Roteiro/ Arte: Dennis Hopeless/ Kevin Walker.

Vingadores – Arena foi uma das novas séries que saiu com a Marvel NOW, fase em que a Marvel deu uma reformulada em seu Universo, zerando revistas e lançando outras novas após os eventos de Vingadores Vs. X-Men. Escrita por Dennis Hopeless (Jean Grey, Cable e a X-Force), ela reúne 16 jovens heróis num mesmo lugar, onde precisarão lutar até a morte num jogo sádico do Arcade, ao melhor estilo Jogos Vorazes de ser. Muita violência, sangue e estratégias numa série que nem todos irão curtir, porém achei bem maneira! Review especial com alguns spoilers do primeiro arco (#1-6)!

MATAR OU MORRER

O roteiro de Vingadores – Arena não chega a ser inovador, bebendo muito do formato de Jogos Vorazes (cujo filme havia estreado no ano anterior, em 2012). O vilão Arcade sequestra 16 jovens heróis de grupos como Academia Vingadores e Fugitivos, e os coloca em seu próprio Mundo, uma arena que simula diversos lugares da Terra (como deserto, praia, florestas, etc) e avisa que apenas um saíra do lugar vivo. Obrigando que cada um trabalhe por si ou que faça alianças, racionando comida e se mantenha vivo na medida do possível. É a ideia da Cúpula do Trovão, de Mad Max: dois homens entram, um homem sai (16, nesse caso). E aqui entra um detalhe: o leitor precisa entrar na magia da história, pra poder curtir a onda de violência e pancadaria entre os participantes. Detalhes como do porquê o Arcade escolheu esses heróis ou até como que ele os sequestrou não ficam claros nesse primeiro arco, mostrando que o que interessa em jogo é a ação, o shock value e fanservice, o fato de termos heróis dos mais variados tipos presos num só lugar, passando de todos os limites. E algo que gostei na maneira do Hopeless desenvolver a trama é que tudo é muito imprevisível. Logo no início, quando ele solta a galera e percebe que eles não aceitam brigar, ele avisa que dará o primeiro passo: matando um deles; fechando a edição #1 com um momento WOOW que eu não esperava. Ele realmente não estava brincando!

Mas falemos dos participantes, antes de comentar sobre o desenrolar. Boa parte deles foram criados especialmente para esta série. Temos Radiação, Vigoroso e Réptil da Academia Vingadores; Boca Dura e Irmã Grimm dos Fugitivos; Nara, Kid Bretão, Ápice, Anacronismo e Bloodstone da Academia Braddock; e os solitários X-23, Falcão de Aço, Cammi, Death Locket, Juston e Corvo Vermelho. Com exceção de um ou outro, todos possuem bastante personalidade e tem suas histórias e contextos narrados em pequenos flashbacks, para que o leitor se identifique melhor com cada personagem. Alguns já conhecidos, como a Radiação, se destacam por ter a chegada mais dramática na Arena. Enquanto outros como a Irmã Grimm, se destacam pelo uso de poderes, que aqui inclui encantar uma árvore para gerar frutos. Mas os personagens novos também não ficam atrás. Kid Bretão, por exemplo, é a versão jovem do Capitão Bretanha de outra realidade, sendo arrogante e insuportável; já sua amiga Nara é uma atlante rebelde com sangue no olho, no melhore estilo Namora dos Exilados.

Por algumas críticas que li, muitos não gostaram do teor violento da HQ, achando gratuito demais. Eu, pelo contrário, achei muito válido e até mais real que nas demais séries de heróis. Quem tem costume de ler Marvel ou DC sabe que os heróis raramente vão aos extremos por questões morais, mas até mesmo os vilões seguem esse padrão, com poucos roteiristas que viram a página dois e fazem algo realmente chocante. Um Godzilla pode pisar uma cidade inteira, que não veremos mortes. E aqui em Vingadores – Arena não, as coisas são bem mais barra pesadas. Numa cena, por exemplo, a Irmã Grimm e Boca Dura percebem que não possuem poder de fogo suficiente, que juntos serão um alvo fácil, que precisarão se unir com algum outro grupo. E eles escolhem logo a Radiação e X-23, duas das mais insanas do rolê, pra fazerem amizade. A gente imagina, num quadrinho mais tradicional, que pode rolar apenas um atrito nesse encontro, mas aqui as coisas saem totalmente do controle. Como comentei, tudo muito inesperado. Todos estão extremamente ariscos e com medo de serem o próximo a morrer. E sim, há mortes a rodo nesse primeiro arco.

A galera inglesa, da Academia Bradock, não foram os meus preferidos. Apesar de curtir muito a Nara, o Kid Bretão é muito insuportável, sendo o cara loiro, chato e convencido. Mas em compensação, é um dos grupos mais violentos, protagonizando uma outra cena WOW no final. Um primeiro arco que gostei bastante, numa pegada empolgante e que deixa o leitor ansioso pra saber no que vai dar e receoso de ver o herói pra quem está torcendo morrer Os desenhos são de Kevin Walker (Thunderbolts), criando um design de personagens e uniformes bem bonitos, com destaque para a Radiação, que é sensacional. O Réptil é outro que adorei o visual, os poderes e personalidade (e pelo qual acabei torcendo lá pelo meio). O traço do Walker é firme, deixando as cenas numa elegância sádica. E uma série que bebe de diversas fontes, desde o formato de Jogos Vorazes até a capa e logo, que é igual ao de Battle Royale. Inclusive a capa da edição #2 é inspirada no livro Senhor das Moscas. Então é praticamente um tributo às histórias do gênero, com direito a barra de energia dos participantes e tudo, feita pro leitor cansado de heróis invencíveis e vilões que não matam. Sem contar que repaginou o Arcade.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br