***
Kohane agora está morando com aquela senhora que fez adivinhações nas edições 3 e 4. No volume anterior a menina pediu à Yuko que sua mãe fosse feliz e, em troca, cedeu seus dons paranormais. Sua mãe foi tentar se recuperar e precisou deixar a filha aos cuidados da velhinha. Watanuki e Doumeki vão visitá-las e, quando todos estão ocupados, ela chama Doumeki de canto e o questiona sobre sua relação com Watanuki, de como se tornaram amigos e por que eles sempre estão juntos. Somos lembrados das palavras de Yuko, de que Kimihiro precisa ser “protegido”.A partir daqui percebemos o quanto os personagens evoluíram e estão maduros, enfrentando dilemas maiores, tratados seriamente, apesar de a veia humorística continuar presente. Um fato interessante de se comentar é a postura de Doumeki, até agora de durão e “frio”, como se não fizesse parte desse mundo. Ele sempre fala com outros pelo sobrenome ou nem isso, chamando de “aquela menina” ou “aquele menino”, sempre muito distante.
Em paralelo a Loja recebe uma nova cliente, que deseja aprender a cozinhar. Claro que Watanuki será o professor e o CLAMP encontra espaço para explicar o misticismo do paladar, das comidas, do preparo etc. Aparentemente, essa cliente ainda reserva surpresas. Na edição #28 é que as coisas começam a pegar pra valer, com Yuko despejando um caminhão de informações, deixando o leitor até confuso. Apesar de parecer uma solução um pouco corrida, acaba batendo com o clima atual da série e marca uma mudança de rumos.Yuko, passeando pela loja, observando as barreiras que a deixam invisíveis se enfraquecerem, começa a conversar consigo mesmo e com Maru e Moro telepaticamente. A relação com Tsubasa fica explícita quando ela levanta o parentesco de Watanuki com o Mago Clow e Shoran (sua contra-parte), além de ser um alvo para Fei Wang (personagem de Tsubasa) entre outros spoilers. Como todos sabem, Watanuki possui uma lembrança muito vaga dos pais e de sua infância… isso começa a ser destrinchado e Yuko tem uma grande participação. Ela também encontra o avô do Doumeki pela primeira vez num momento bastante empolgante. A expectativa para o próximo volume está grande.

Fil Felix é autor, ilustrador e psicanalista. A Central dos Sonhos é seu universo particular, por onde aborda questões como memórias, desejos e infância. Fã de HQs, escreve seus comentários sobre quadrinhos desde 2011, totalizando mais de 600 reviews. Já escreveu sobre arte para diversos blogs como Os Imaginários e a coluna Asas da editora Caligo. Ilustrou os livros infantis Zumi Barreshti (2021, Palco das Letras) e Meu Avô Que Me Ensinou (Ases da Literatura), entre outras publicações.




