[Review] Menina Infinito !

[Review] Menina Infinito !

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Editora/Ano:Desiderata, 2008
Preço/ Páginas:R$39,90/ 120 páginas
Gênero:Alternativo
Roteiro/ Arte:Fábio Lyra
Sinopse: Lamento lhe informar, mas a Menina Infinito não voa, não fica invisível e nem tem os peitões gigantescos das super-heroínas de hoje. Como ela mesmo diz, é uma garota normal. Ligeiramente neurótica, discretamente acima do peso, insegura e adorável. E, como toda pessoa normal, não é igual a ninguém. Tem tiques, manias, listas e gostos pessoais intransferíveis. Coleciona bandas, vinis, shows de rock e amores imperfeitos. E está naquela fase da vida em todo emprego é temporário e toda obsessão parece eterna. O mais importante é que ela existe, que Fábio Lyra criou aqui um universo real, meticulosamente desenhado, onde nenhuma capa de disco é genérica e, se um fio de cabelo está fora do lugar, é porque o personagem prefere assim. Este álbum tem três histórias que, como a canção pop perfeita, passam rápido, parecem que nasceram prontas e vão para o topo da sua playlist. É só tocar.
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Menina Infinito foi um dos títulos que aparecia na revista independtente MOSH!, em seus 12 números (2003-2006), rendendo à Fábio Lyra o HQ Mix 2007 de Artista Reveleção. Sendo uma das histórias que mais chamava atenção do público, a personagem ganhou seu primeiro álbum próprio em 2008 pela Desiderata, com 3 histórias longas e uma curta, de abertura, apresentando a personagem aos novos leitores.
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Mônica, a protagonista da série, é a melhor amiga de Pedro, já dividindo um apartamento com ele. Ela adora filmes cult e bandas underground, além de sonhar com o Morrisey e colecionar vinis, é gordinha e descolada. Menina Infinito retrata o cotidiano de Mônica, mostrando situações que poderiam acontecer com qualquer adolescente ou jovem que perambula à noite pela cidade.
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O título é repleto de referências, muitas mesmo. Há diversas capas de vinis espalhadas pelas páginas, todas iguais ao original, como também nomes de bandas estampados em camisas e citações de filmes e músicas. Mônica é fan de Amélie Poulain e, as vezes, até lembra a personagem francesa, principalmente nas cenas em que imagina algo mas fala outro.
 
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A primeira história é uma apresentação da personagem ao leitor que não a conhece. Ela comenta de seus gostos, coleções, listas, cotidiano etc. Você se simpatiza logo de cara, como se Mônica fosse algum amigo próximo. É nessa verossimilhança que o título se destaca. Por se tratar do cotidiano, o leitor pode se identificar com muitos dos acontecimentos. Quem não conhece alguém que começou a namorar e se distanciar dos amigos? Ou ir a uma festa super chata só pra agradar alguém? Se meteu num grupinho de amigos e percebe que eles são totalmente diferentes de você? São essas situações que fisgam o leitor.
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Mas nem tudo são flores. Na primeira história “longa”, após a apresentação, Mônica quer tirar satisfação com um antigo colega, indo até o apartamento do mesmo iniciar uma confusão. Mesmo sendo legal, algumas atitudes dos personagens parecem forçadas e é a história que menos agradou, pessoalmente falando. Por sorte, a edição seguinte, com o namoro e o sonho com Morrisey, é melhor. O mesmo pode se dizer da última história, onde Pedro relembra a época em que dividia o apê com Mônica e como que os dois se separaram, graças à uma namorada encrenqueira dele, sendo bem agradável de ler.
 
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Em alguns momentos Menina Infinito nos lembra outros álbuns do mesmo gênero, como Mundo Fantasma (as personagens até que se parecem), retratando o cotidiano de personagens mais “alternativos”. Quem curte esse tipo de narrativa provavelmente irá gostar de Menina Infinito. Mesmo sem possuir nenhum momento surpreendente, é uma boa leitura, de uma personagem interessante à se acompanhar.
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Os desenhos de Fábio Lyra são simples, mas ideais. A arte é em preto e branco, sem muitos detalhes, ficando leve e fluída. O destaque fica para os posters e referências musicais que vão surgindo durante a história. O álbum está em formato magazine, maior que o “americano”, utilizando de folhas grossas, valorizando melhor o traço. Recomendado para aqueles que curtem histórias alternativas, de pessoas comuns. Passe longe quem só curte ação e heróis.
nota 7,5 d
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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br