[Especial] Detective Comics Anual: A Maldição do Cara-de-Barro!

[Especial] Detective Comics Anual: A Maldição do Cara-de-Barro!

Arcos Principais: A Maldição do Cara de Barro (The Curse of Clay Face)
Publicação Original/ Brasil: Detective Comics Annual (DC, 2018)/ Inédito.
Roteiro/ Arte: James Tynion IV/ Eddy Barrows.

Sempre comento nas resenhas da Detective Comics que a reformulação do Cara de Barro foi uma das melhores coisas nesse Rebirth, que o personagem ganhou o destaque e profundidade que merecia. Prova disso é que a edição Anual da revista, publicada agora em 2018, trouxe um especial mostrando a origem dele, da infância até se tornar o temido vilão que conhecemos. Review com alguns spoilers!

A MALDIÇÃO DO CARA DE BARRO

James Tynion IV é o autor principal da Detective Comics, que vem abordando questões estéticas com o Cara de Barro, o fato dele ser um “monstro“, com problemas de auto-estima. Esse anual começa com Basil Karlo ainda criança, conversando com seu pai, um artista que criava máscaras para produções cinematográficas (estilo Planeta dos Macacos), utilizando de um ingrediente especial: um líquido que tornava tudo muito mais maleável, sendo possível manipular a massa (porém muito tóxico). Esse início é interessante por retomar essa ideia de “beleza” que o Tynion vem trabalhando, trazendo o mistério “por detrás da máscara“, dos filmes de terror e tudo o mais. Interessante lembrar que o Cara de Barro é um dos vilões mais antigos do Batman, surgindo em 1940 e bebendo dos filmes de terror que fizeram a cara dos anos 1930, como Drácula, Frankenstein e O Homem Invisível. A arte, inclusive, também se inspira em Béla Lugosi e Boris Karloff, que eram as estrelas desses filmes.

Basil cresce, se distancia do pai e se torna uma estrela de cinema, se preparando para o que seria seu maior filme. Porém, num acidente de carro, tem o seu rosto deformado. Nesse meio tempo conhecemos a Glory, sua assistente que mais tarde se transformaria na Cara de Lama. E então vemos a principal diferença em relação à sua origem clássica, que era a vingança de Basil ao saber que um de seus maiores filmes de terror seria refilmado sem sua presença, enlouquecendo e matando todos da produção, adquirindo a forma do vilão do filme (Cara de Barro) e ganhando seus poderes mais tarde. Particularmente, eu preferia que essa versão tivesse sido trabalhada por Tynion, por ser mais brutal e trazer o narcisismo do personagem à flor da pele. Já aqui no Rebirth, o Basil está interessado num filme sobre um ator que mata a produção da refilmagem de um de seus filmes, ao saber que não foi convidado. Ou seja, ele utilizou a origem original como pano de fundo, mas fez diferente.

Apesar da diferença, não deixa de ser menos brutal. Há diversas cenas WOW, principalmente quando ele se vê no espelho logo após o acidente e no desespero por querer sua beleza de volta. Ele relembra as máscaras do pai e acaba utilizando o líquido químico em si mesmo, pra moldar sua face, cobrir a deformação e voltar a atuar. Como de costume em histórias de origem, há todo o aparato do acidente para potencializar as habilidades. Os desenhos de Eddy Barrows são bem pesados e, junto da finalização de Eber Ferreira e cores de Adriano Lucas, muitas cenas acabam bem carregadas, o que reforça a ideia de “cinema clássico de horror“, que é o espírito do Cara de Barro. Inclusive a capa é referência aos posteres antigos. A diagramação, por exemplo, traz entre os quadros aqueles tradicionais rolos de filme, mostrando um cuidado maior com a estética. Um belo anual, que mostra a origem do Cara de Barro dentro desse Rebirth e que, mesmo menos impactante que sua origem clássica, ainda traz o horror da deformação e a sua loucura, além de deixar claro que seu embate com a Glory não foi acidente (como eu estava pensando). Mas também traz a polêmica dos retcons.

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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br