[Especial] O Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação !

[Especial] O Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação !

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011), o vencedor do Oscar 2012


Este post explica como surgiu esta categoria no Oscar, suas exigências, curiosidades, maiores vencedores, requisitos para concorrer entre outras coisas. Também é a introdução para um série de especiais que virão, onde será analisado todos os curtas vencedores, ano por ano. Aguarde!

 
Existem várias premiações voltadas apenas aos filmes de animação, tanto para longa quanto de curta-metragens (como o Annie Award e o Anima Mundi), geralmente com melhores escolhas de indicados e menos politicagem, mas é indiscutível o valor de um Oscar para um filme. Os desenhos foram, e são, basante marginalizados pelas pessoas, carregando o estereotipo de “para crianças” por uma eternidade, assim como os quadrinhos. Grande parte dos vencedores nas categorias Melhor Filme e Melhor Curta de Animação do Oscar são voltados ao público infantil. As vezes aparecem um ou outro internacional com temática diferente entre os indicados, mas o prêmio vai mesmo para aquele mais popular.

Coisas de Pássaros (For The Birds, 2000), venceu em 2002

 

Não vejo problema algum em blockbusters animados, mas a maior premiação do cinema deveria reconhecer outras animações. A computação gráfica dominou o mercado do gênero nesta última década, é só olhar os vencedores de Filme de Animação dos últimos dez anos: todos, com exceção de A Viagem de Chihiro (2003) e Wallace & Gromit (2006), utilizam desta técnica. A animação tradicional vem perdendo espaço a cada ano, infelizmente.
 
E se com os filmes as escolhas são geralmente óbvias, com os curtas o cenário dá uma mudada, mas nem tanto…

Logorama (2009), venceu em 2010

 

A categoria Melhor Curta-Metragem de Animação surgiu em 1932, na 5ª edição do Oscar sob o nome de Curta-Metragem – Cartoon (1932-1970) e de Curta-Metragem – Filme de Animação (1971-1973). Em 1974 foi alterado para a denominação que conhecemos hoje. É uma categoria bastante esquecida pelas pessoas, até porque os curtas (em geral) não conseguem um espaço na mídia quanto os longas e são sempre desconsiderados pelo público. No máximo você vê algum curta antes de um filme, como é de costume na Pixar, ou se for em sessões do gênero. Se não, só lhe resta a internet.
 
Para ser indicado à esta categoria, o curta precisa se encaixar em alguns requisitos básicos: não ultrapassar 40 minutos (contando com os créditos); é preciso utilizar alguma técnica de animação por “frames”, como computação gráfica, stop-motion, tradicional etc; é necessário que tenha sido exibido em algum cinema de Los Angeles por, pelo menos, três dias consecutivos com duas sessões diárias ou ter ganhado alguma premiação voltada à animação; pilotos e episódios não exibidos de séries animadas não são válidos; entre diversos outros mais técnicos, levando em consideração a exibição, formato, criadores etc. As indicações ao Oscar pode parecer simples, mas são bem burocráticas.

Flores e Árvores (Flowers and Trees, 1932), venceu em 1932


O record desta categoria pertence ao diretor/ produtor/ roteirista/ animador/ (…) Walt Disney, com 10 Oscar e dezenas de indicações. Disney, na verdade, é o ícone com mais indicações (59) e Oscar recebidos (22) de toda a história da premiação, além de outras 4 estatuetas honorárias. Não é a toa que seu legado reina até hoje. Dentre suas produções se destacam as adaptações de fábulas, como Os Três Porquinhos (Three Little Pigs, 1933), A Lebre e a Tartaruga (The Tortoise and the Hare, 1935) e o Patinho Feio (The Ugly Duckling, 1939).

Observar a trajetória dos curtas dentro do Oscar é observar a própria evolução da animação, das técnicas utilizadas, formas narrativas, além de possuir um lado mais “experimental” que seu irmão maior, o de longa-metragem, não possui. Flores e Árvores (Flowers and Trees, 1932), por exemplo, foi a primeira animação comercial produzida totalmente em cores, também do Disney, e vencedor do primeiro prêmio da categoria em questão.

A Face do Fuehrer (Der Fuehrer’s Face, 1942), venceu em 1943


Ainda nos primeiros anos da categoria, alguns vencedores causaram polêmica na história do cinema, como A Face do Fuehrer (Der Fuehrer’s Face, 1942), dos Estúdios Disney, estrelado pelo Pato Donald na Alemanha Nazista. No ano seguinte o mesmo estúdio lança Educação Para a Morte (Education for Death, 1943), também com temática anti-nazista. Ambos chegaram a ser banidos logo em seguida e ganharam diversas interpretações com o passar dos anos.

Tin Toy (1988), foi o primeiro curta da Pixar a receber um Oscar e, também, o primeiro vencedor da categoria a utilizar computação gráfica. Esta técnica é a grande substituta da animação tradicional e aparece em quase todos os vencedores dos últimos anos, assim como nos longas de animação. Na técnica de Stop-Motion se destaca Nick Park, criador da série Wallace & Gromit, que já recebeu 4 Oscar de 6 indicações, sendo que uma ele perdeu pra ele mesmo, em 1991.

Creatures Comforts (1989), venceu em 1990


Outras curiosidades: até 1952, somente os curtas estadunidenses podiam ser indicados; Walt Disney venceu nos 8 primeiros anos, consecutivamente; os curtas da série Silly Symphonies e da série Tom & Jerry são os maiores vencedores, com 7 Oscar cada um; a National Film Board of Canada é o estúdio com mais prêmios, 6 no total; A Pantera Pinta o Sete (The Pink Phink, 1964), foi o primeiro curta da Pantera Cor-de-Rosa

Mesmo com ótimos curtas e um festival próprio voltado à animação (o Anima Mundi), o Brasil nunca foi indicado na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação do Oscar. A Aventura Perdida de Scrat (Gone Nutty, 2003), apesar de dirigido por um brasileiro (Carlos Saldanha, o mesmo da Era do Gelo), é tratada como uma produção estadunidense.


*Todos os curtas indicados aqui podem ser vistos no YouTube, é só procurar! 
*Até!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comments

comments

Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br