[Especial] A Importância das Capas + Melhores Capistas !

[Especial] A Importância das Capas + Melhores Capistas !

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Hoje se inicia uma nova sessão aqui no HQs By Fil: a Galeria de Capas, com posts contendo as capas completas de determinadas séries, com descrições de seus desenhistas e importância para o sucesso da série, além de informações de prêmios, curiosidades etc. Para iniciar, um post especial mostrando as capas mais famosas dos quadrinhos (muitas copiadas até hoje) e alguns dos capistas mais premiados e elogiados da indústria.
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Não é surpresa pra ninguém que a capa de um quadrinho pode ser fundamental para o sucesso de uma série, pois ela é a porta de entrada para os leitores, podendo atrair novos fans ou até mesmo espantar futuros compradores. A escolha da capa ideal e a possível inclusão de chamadas ou textos na mesma precisa ser feita com cuidado, como no caso de revistas mix e edições nacionais que englobam mais de uma edição original. A capa, também, é alvo de bastante crítica por parte dos fans, ora por ser muito chamativa, ora por incluir muitos textos, ora por possuir o logotipo muito grande e por aí vai. Sendo assim, a escolha dela (no caso de edições nacionais) e dos desenhistas/ capistas para as edições originais é de extrema importância. 

  
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Muitas capas são clássicas e se tornaram verdadeiros ícones da nona arte, como em Uncanny X-Men #136 (1980, de John Byrne) e Crisis on Infinite Earths #7 (1985, de George Perez), ambas com o protagonista em pé, carregando o corpo de alguém que ama; The Man of Steel #1 (1986, de Dick Giordano), com Clark Kent abrindo a camisa e mostrando o “S” de seu uniforme; ou o Homem-Aranha carregando um inimigo em Amazing Fantasy #15 (1962, de Steve Ditko); entre muitas outras, copiadas/ homenageadas até hoje. Algumas se tornaram polêmicas, como a de Iron Man #128 (1979, Bob Layton), mostrando um Tony Stark alcoólatra, e em Green Lantern #85 (1971, de Neal Adams), com o Lanterna Verde e Arqueiro Verde combatendo as “drogas”. E isso somente no mainstream heroico; caso expandirmos para HQs européias e para os mangás, temos diversos outros exemplos, como as capas de Incal (1981, de Moebius) e Dragon Ball #1 (1984, de Akira Toriyama).

    
    

 

Muitos artistas são reconhecidos, principalmente, por seu trabalho com ilustrações de capa, ganhando diversos prêmios. Pegando o Eisner Award como exemplo, a premiação considerada o Oscar dos quadrinhos, temos uma categoria voltada exclusivamente aos capistas (Best Cover Artist). Desde a inclusão no prêmio em 1992, três artistas se destacaram por vencerem diversas vezes: Brian Bolland, Alex Ross e James Jean. Ironicamente, Dave McKean, badalado parceiro de Neil Gaiman, nunca chegou a vencer na categoria. Os quatro possuem estilos bem distintos e funcionam perfeitamente como exemplos do quão diversificada uma capa de HQ pode ser e de como ela é importante para o título como um todo. Basta ver o trabalho deles.

Brian Bolland

 

Brian Bolland talvez seja um dos mais importantes dentre os citados. Conhecido por desenhar a série do Juiz Dredd e graphic novels como Camelot 3000 e Batman – A Piada Mortal, seu traço é bastante detalhista, dinâmico e “clean”, além de uma pitada de erotismo em alguns casos. Ilustrou para, praticamente, todas as editoras mainstream, incluindo séries como Batman, Mulher-Maravilha, Vamps, Tank Girl, Zatanna, Robin etc. Recebeu 5 prêmios Eisner na categoria em questão (de 1992 à 1994, 1999 e em 2001), com destaque para seu trabalho nas séries Animal Man e Os Invisíveis. Interessante que ambos os títulos tiveram a participação do roteirista Grant Morrison.

   

 

Para a série Animal Man, que durou 89 edições, Bolland criou as primeiras 63 capas. Elas ficaram conhecidas pelo seu estilo próprio e, não raro, diferente da arte contida no interior. Segundo o artista, ele se inspirava no roteiro da história e criava a ilustração, mas nem sempre batia com o desenhista. Pela série passaram os roteiristas Grant Morrison, Peter Milligan, Tom Veitch e Jamie Delano, sendo que Bolland se “enquadrava” ao estilo de cada um. Com Os Invisíveis não foi diferente. Criada por Morrison, a série envolvia misticismo, viagens no tempo, psicodelias e afins. Ele criou todas as capas dos volumes 2 e 3 da série, totalizando 34 edições. Seguindo o tema elaborado por Morrison, Bolland se inspirou no surrealismo e criou capas utilizando bastante simbolismo, gerando diversas mensagens subliminares. Também foi as primeiras investidas dele com arte computadorizada. Recentemente, Bolland trabalhou com a série João das Fábulas, criando as capas das edições #12 à #50, em substituição à James Jean, e em vários especiais e compilações do Juiz Dredd.

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Alex Ross

Alex Ross é, possivelmente, um dos artistas de HQs mais conhecidos entre o público que não acompanha quadrinhos. Sua arte é bem característica, utilizando de técnicas de pintura e nanquim para gerar resultados foto-realísticos incríveis, se destacou na arte de especiais da Liga da Justiça, alguns publicados em tamanho “magazine” (maior que o americano), e nas capas de muitas graphic novels desde os anos 1990, como Marvels e História do Universo DC. Ganhador de 4 Eisner Awards desta categoria (de 1996 à 1998 e em 2000), principalmente por seu trabalho na série Astro City e em Reino do Amanhã. Dentre suas capas mais conhecidas destacam-se às da “Trilogia X” da Marvel: Terra X, Paraíso X e Universo X, além de Marvels.

   

As capas de Reino do Amanhã foram criadas por Ross utilizando tinta guache, na qual ele desenvolveu boa parte dos personagens da mini-série. Astro City é uma ampla e premiada série, com vários especiais e spin-offs. Ross criou o design dos personagens e praticamente todas as capas envolvendo o título. Algumas delas são bastante icônicas e circulam dentre as “melhores de todos os tempos”, principalmente pelo uso de perspectiva e transparência. Uma das técnicas adotada por Ross é à de “fotocópia”, onde o artista utiliza de fotografias para chegar à um desenho realista. Em alguns casos são utilizados modelos fantasiados para a composição das cenas e/ ou para tirar fotos.

 

James Jean
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James Jean é o capista que mais venceu nesta categoria do Eisner, tendo ganho por 6 anos consecutivos (de 2004 à 2009), principalmente por seu trabalho na série Fábulas e The Umbrella Academy. Possui um estilo próprio de ilustrar, abusando da combinação de cores pasteis, as vezes chapadas, fortes e sem buscar um realismo como visto em Bolland ou Ross. O lirismo e o surreal são temas recorrentes, além da pop arte e, mesmo voltado ao sombrio, sua arte sempre é vívida e espontânea. Em seu currículo há poucas HQs, se comparado aos demais capistas do post, pois Jean preferiu o lado mais “comercial” de sua arte, voltado ao design, campanhas e marketing. Dentre seus trabalhos mais famosos estão ilustrações para a Prada, inclusive uma animação. Nas HQs, criou capas para a série do Arqueiro Verde, João das Fábulas, Batgirl, entre outras.
 
   

 

Para a mini-série The Umbrella Academy, Jean criou todas as 6 capas, abusando de tons mais escuros e detalhes em vermelho forte. Mas seu trabalho mais expressivo (e premiado) está em Fábulas. Ele desenvolveu todas as 81 primeiras capas da série e foi um dos responsáveis por incluí-la no patamar em que está hoje, pois o estilo das capas ajudaram a definir o conceito de lirismo que há em Fábulas. Nelas percebemos todas as marcas do artista: traços finos, combinação de cores, tons pasteis etc. Atualmente, James Jean está afastado do mainstream quadrinístico, desenvolvendo projetos autorais e trabalhando com pintura e ilustrações para marcas famosas, dentre elas a Prada, Playboy, New York Times e Rolling Stones.

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Dave McKean
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Concluindo o quarteto de capistas que admiro bastante, particularmente, está Dave McKean, famoso ilustrador e parceiro de Neil Gaiman em boa parte de seus trabalhos. Ao contrário dos anteriores, McKean obteve 3 indicações ao Eisner por melhor capa, porém nunca venceu. Sandman, de Gaiman, é considerado uma obra prima dos quadrinhos e todas as suas 75 capas foram criadas por ele, também consideradas clássicas e icônicas. Além da série principal de Morfeus, ele criou as capas de muitos spin-offs do Sonhar, como The Dreaming e os especiais da Morte, além da premiada Orquídea Negra, Asilo Arkham e também as 21 primeiras capas de Hellblazer. Seu estilo envolve fotografias, colagens, sobreposições e efeitos pelo computador. Ao contrário dos demais, quase não há traços definidos em sua arte, acabando por confundir o que é fotografia e o que é desenho. Dentre seus trabalhos autorais está a série Cages.

   
Sem dúvida, o trabalho mais famoso de McKean está em Sandman. Todas as 75 capas foram ilustradas por ele e sempre inspirada diretamente na história da edição, tornando muitas delas verdadeiros clássicos, como na da Morte. Todas as suas características está presente: o sombrio, o melancólico, as colagens, a fotografia, o surrealismo etc. Tais capas foram compiladas e comentadas no álbum Capas Na Areia, se tornando um dos raros capistas a ter seu “portfolio” publicado por aqui. Para a série da Orquídea Negra, na qual participou de sua concepção, McKean acrescentou os tons violetas à quase todas elas, além de se aventurar por algumas de apenas traços.

 

 

Há muitos artistas e capas que ficaram de fora, tanto das clássicas e polêmicas quanto dos capistas comentados, mas com esta nova categoria aqui no HQs teremos a oportunidade de conhecer outros trabalhos 🙂 Utilizei Brian Bolland, Alex Ross, James Jean e Dave McKean por ser, além de conhecidos e premiados, artistas de estilo próprio e expressivos, ilustrando perfeitamente quatro formas diferentes de criar o “rosto” de um título, ideais para iniciar a “Galeria de Capas”. Outros que admiro, como Julie Bell, Boris Vallejo, Frank Frazetta, Adam Hughes, Mike Allred, Catherine Jones etc em breve aparecerão por aqui!

 
*Até!
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Estudante de Artes, consumidor compulsivo de HQs, amante da psicodelia, sonhos, nonsense, teorias da conspiração e colagens. Um mutante. Autor da Central dos Sonhos. + www.filfelix.com.br